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MAC/CCB
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Datas / horários

29 novembro às 15:30 Jonathan Uliel Saldanha

6 dezembro às 15:30 Susana Mendes Silva

Conferências

Conversa

Em 1926, o historiador e teórico da arte Carl Einstein publica, em Berlim, na famosa Propyläen-Verlag, a A arte do século XX. Bem cedo, pensaram muitos. Logo nos primeiros parágrafos da obra, Einstein toca um problema que parece repetir-se agora, o do «ceticismo desta época».

O fazer criativo do homem consiste, também, em criar uma dimensão que não pertence ao regime do natural, da cognição, do conhecimento, mas sim da imaginação e das novas formas de redesenhar os objetos, ainda que às primeiras dimensões possa ainda estar ligada. A arte, porque age a partir do real, e sobre ele, é construtora e configuradora do real, já que o organiza, reorganizando os seus objetos em torno de leis que não existem na natureza, mas só e sim na própria pulsão criativa do homem; porque só a arte tem o poder de «transformar as coisas em signos nunca vistos» (Carl Einstein). Compreende-se esta caracterização porque para Einstein se tratava sempre, e principalmente, de se afastar do seu tempo, de criar distâncias para poder pensar, de um querer ir mais além da época histórica, procurando a simultaneidade temporal das formas de ver que a história até então tinha produzido, «o dever», diz em A arte do século XX, de «transformar a atividade e a perceção humanas». Para Einstein tudo se jogava nas formas de afeção da visualidade e da organização das imagens, antecipando muito das fraturas que, no mesmo século, vieram a produzir-se e que ainda hoje subsistem. É essa forma de reorganização da visão que recolhe dentro de si o conceito do alucinatório, um elemento que para ele pertence à arte enquanto instrumento que permite recriar novas formas de ver, não um meio ou instrumento que dá a ver formas, que projeta ideias ou sensações, mas que provoca modificações do olhar e, ao fazê-lo, produz novos modos de ver, de recriar a própria realidade. Por isso, para este, a arte é sempre, também, da ordem do político. O uso do conceito de alucinatório remete, em Einstein, para processos psíquicos complexos que ligam condições subjetivas e condições objetivas, processos psíquicos e fenómenos percetivos, fenómenos sociais, também. Quando o alucinatório se produz, ocorrem para este processos de reações entre o psiquismo e o fenómeno biológico, produzindo-se dessas reações o trans-visual, um conceito que vai mais além da simples definição da arte como algo estanque, completamente definido. Entre estas possibilidades, queremos pensar, um século depois, a situação da arte no século XXI; e, para tal, não só Carl Einstein nos interpela, também vem a jogo a conhecida afirmação, vezes sem conta repetida na última centúria, de Samuel Beckett num título muito afim ao que propomos: «É o fim que é o pior, depois o meio, depois o fim, no fim é o fim que é o pior.» (L’Innommable, 1958)

 


Conferências CCB/CICANT_ECATI

O ciclo de conferências «Outros Espaços» é uma parceria entre o Centro Cultural de Belém, a Escola de Comunicação, Arquitetura, Artes e Tecnologias da Informação (ECATI) e o Centro de Investigação em Comunicação Aplicada, Cultura e Novas Tecnologias (CICANT) da Universidade Lusófona — Centro Universitário de Lisboa.
O objetivo desta parceria é ligar a produção académica e científica à comunidade, possibilitando a transmissão de conhecimento ao mesmo tempo que se mostra como um espaço de diálogo plural. A ação que cada instituição leva a cabo contempla a possibilidade de sinergias temáticas, que vão desde as artes visuais, o cinema, as artes cénicas e as artes sonoras, a comunicação, a cultura e a arquitetura aos novos dispositivos digitais.


 

A Fundação Centro Cultural de Belém reserva-se o direito de proceder à captação, armazenamento e utilização de registos de imagem, som e voz, com a finalidade de difusão e de preservação da memória, quer das suas atividades culturais e artísticas, quer dos seus espaços. Para quaisquer esclarecimentos adicionais utilize o endereço eletrónico

• A Invenção do Oráculo
Orador: Jonathan Uliel Saldanha (compositor, artista visual e encenador)

Jonathan Uliel Saldanha (c) Vitorino Coragem

 

Partindo da prática artística de Jonathan Uliel Saldanha, esta apresentação abordará os vetores fundamentais que atravessam o seu trabalho: a contaminação do corpo pela paisagem, a mutação da linguagem, a pressão sonora e o ritmo como catalisador do hiperpresente. Serão explorados os mecanismos dramatúrgicos e cibernéticos que operam as relações entre o corpo ressonante, o sangue tecnológico, a contaminação pelos espetros sonoros e o sonho sintético, abrindo assim um espaço para a reinvenção da escuta. Através da construção e utilização de diagramas, serão evidenciados processos composicionais nos quais coexistem e interagem cosmogonias, timbres e mecanismos, gerando continuamente um espaço sonoro em permanente mutação.

29 de novembro às 15:30 | Auditório do MAC/CCB (piso -1) | Participação gratuita, sujeita ao número de lugares disponíveis.

 

 

• Susana Mendes Silva: Sobre a prática artística
Oradora: Susana Mendes Silva (artista, professora e investigadora).

Susana Mendes Silva (c) Vitorino Coragem

 

A prática artística de Susana Mendes Silva desenvolve-se em torno do desenho, da instalação, da performance, da investigação, da prática arquivística e, sobretudo, de encontros — com o público, com os espaços, com a história e com os pares. Tal leva à criação de obras cujas referências históricas e políticas se tornam visíveis enquanto exposições, objetos ou ações que transmitem mensagens poéticas e políticas. Para lá disso, sempre se interessou ir buscar coisas banais, quotidianas ou da esfera íntima, para espoletar performances ou criar projetos artísticos que são espaços performativos.
Como pergunta a curadora Antonia Gaeta, «O objeto do teu trabalho é muitas vezes a constatação da ausência absoluta de espaços de pensamento coletivos e igualitários capazes de determinar um envolvimento social e inspirar um comportamento livre. Certo?». Susana Mendes Silva acredita que um(a) artista não é quem dá respostas, mas antes alguém que coloca questões às outras pessoas, que as faz refletir, que as introduz em mundos onde ainda não tinham estado daquela forma. É disso que irá falar através das obras e projetos que nos irá mostrar.

06 de dezembro às 15:30 | Auditório do MAC/CCB (piso -1) | Participação gratuita, sujeita ao número de lugares disponíveis.

 

 

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