As minhas facas são como uma língua
Ciclo de conversas
Datas / horários
15 março, 12 abril, 10 maio de 2025 15:00 e 16:30
Participação gratuita mediante inscrição prévia pelo e-mail servico.educativo.museu@ccb.pt e aquisição de bilhete de entrada no museu
Volvidos cem anos da publicação do Manifesto Surrealista, o MAC/CCB apresenta um programa público dedicado ao surrealismo e às suas heranças no presente. O programa acontece a par da exposição permanente Uma deriva atlântica. As artes do século XX a partir da Coleção Berardo e da exposição temporária 31 Mulheres. Uma exposição de Peggy Guggenheim, estando organizado em três sessões.
Cada sessão é constituída por uma visita comentada a obras de arte relacionadas com o surrealismo, nas exposições do piso 2, seguida de uma conversa no auditório do museu com artistas portugueses que encontram hoje motivações neste movimento de vanguarda.
Curadoria Sofia Nunes
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3.ª Sessão
10 maio de 2025

15:00-16:00 | Obra Comentada
Louise Bourgeois, Cell XXV (the view of the world of the jealous wife), 2001, por
Sofia Nunes (crítica de arte e investigadora)
Louise Bourgeois (1911–2010) é um nome incontornável da história da arte moderna e contemporânea. Reconhecida fundamentalmente como escultora, integrou também pintura, gravura, instalação e performance. Entre os seus trabalhos mais desafiantes e inquietantes, destacam-se as instalações escultóricas Cells, concebidas aos 80 anos. Fruto de uma atividade notável na qual o inconsciente, as pulsões e o feminismo se cruzam, vamos perceber como estas celas, à semelhança de toda a obra da artista, mantêm uma relação dinâmica com o surrealismo: ora de forte proximidade, ora de refutação inevitável.

16:30 – 17:30 | Conversa com Artista
Jorge Queiroz (artista) e Ana Vasconcelos (curadora do CAM – Centro de Arte Moderna da Gulbenkian)
Nesta conversa, Jorge Queiroz e Ana Vasconcelos revisitam a relação entre a obra de Jorge Queiroz e de Arshile Gorky, trabalhada na exposição To Go To. Jorge Queiroz | Arshile Gorky, FCG, 2022, e encontram uma nova afinidade. A exposição resultou numa instalação concebida por Queiroz na qual o artista simultaneamente convocou a memória e recebeu uma visita ficcional. O universo autobiográfico recreado por Gorky, nomeadamente as suas cartas trabalhadas nas cinco pinturas A Day Later, que Queiroz realizou para a exposição, encontra eco no pequeno guache de Elsa von Freytag-Loringhoven incluído na exposição 31 Mulheres. Uma Exposição de Peggy Guggenheim, em apresentação no MAC/CCB.
2.ª Sessão
12 abril de 2025

15:00-16:00 | Obra Comentada
Wifredo Lam, Lunguanda Yembe, 1950, por Marta Mestre (curadora do MAC/CCB)
«A minha pintura é um ato de descolonização, não num sentido físico, mas num sentido mental.» A conversa contextualizará a vida e a obra do artista cubano Wifredo Lam (1902–1982), em especial o seu imaginário transcultural, que cruzou o modernismo ocidental com o simbolismo africano e caribenho, desdobrando o surrealismo em várias e inusitadas direções — muitas vezes para lá do controlo da sua própria ideologia. A pintura Lunguanda Yembe, de 1950, será o centro desta conversa, assim como a dimensão política do surrealismo, especialmente a relação com o primitivismo e o colonialismo.

16:30 – 17:30 | Conversa com Artista
Susanne Themlitz (artista) e Catarina Rosendo (historiadora da arte e curadora)
Quase vinte anos após uma primeira conversa, publicada no catálogo da exposição de Susanne S. D. Themlitz na Casa da Cerca em 2006, a artista volta a encontrar-se com Catarina Rosendo para, juntas, falarem sobre o seu trabalho. A membrana do olhar, os reflexos e as deformações, a imaginação e o inconsciente, os líquenes e os caracóis, as canas e as esponjas, as botas de borracha e o corpo/fragmento, as conchas vazias e a paisagem, o sonho e o sono vão ser alguns dos temas abordados.
1.ª Sessão
15 março de 2025
15:00–16:00 | Obra comentada | Salas de exposição MAC-CCB (Piso 2)
Marta Soares comenta Roxbury, astres, 1946 de Jacqueline Lamba
Depois de contextualizar o percurso de Jacqueline Lamba (1910–1993), especialmente o seu lugar no surrealismo, o comentário centrar-se-á em Roxbury, astres, pintura de 1946 que remete explicitamente para a cidade no estado de Connecticut onde Lamba viveu com o artista David Hare. Roxbury… convida-nos a pensar o movimento dos astros na relação com as plantas, enquanto suscita interrogações sobre o impacto do desenho infantil ou da arte nativa americana.

16:30 – 17:30 | Conversa com Artista | Auditório MAC-CCB (Piso-1)
André Romão conversa com Margarida Mendes
Uma conversa livre e aberta em torno dos temas e processos que ligam o trabalho de André Romão ao surrealismo. Precedentes literários, ideias de fluidez, imaginação e magia são os pontos de partida desta conversa, conduzida por Margarida Mendes, na qual se falará também sobre colagem, poema-objeto, fluxo de consciência e viagens noturnas entre o vitalismo e a melancolia.

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