Datas / horários
Sábado, 14 março de 2026 15:30 às 18:00
The Barber Shop apresenta: Acid Communism, pensar o comum a partir Mark Fisher
Na exposição Avenida 211: Um espaço de artistas em Lisboa
Nesta sessão dedicada ao projecto Acid Communism, de Mark Fisher, The Barber Shop revisita um dos teóricos centrais do seu programa, através de palestras de Aleksandra Odette Kypriotaki e Miguel Cardoso, e uma performance sonora de Polido.
Mark Fisher (1968–2017) foi um teórico cultural britânico, autor, prolífico blogger (a.k.a. K-Punk) e professor de Culturas Visuais na Goldsmiths University, London. Foi membro do Cybernetic Culture Research Unit (CCRU) e fundou a Zero Books, sendo conhecido pelo seu trabalho influente sobre o neoliberalismo, a música e a saúde mental, principalmente através dos seus livros Capitalist Realism, Ghosts of My Life e The Weird and the Eerie.
O legado de Mark Fisher marcou uma geração de escritores e teóricos, e o seu projeto de livro inacabado Acid Communism pretende reavivar o potencial utópico da contracultura psicadélica para imaginar um futuro para lá do realismo capitalista. Propõe fundir a consciência de classe com a consciência psicadélica para romper com os regimes capitalistas, neoliberais e patriarcais e, ao fazê-lo, continua a inspirar novos horizontes para a coletividade.
Este evento tem a curadoria de Margarida Mendes, diretora do The Barber Shop (2009-2016), um espaço de projetos dedicado à pesquisa artística transdisciplinar inicialmente sediado no edifício Avenida 211.
Durante cerca de sete anos, o The Barber Shop acolheu artistas, filósofos, músicos e curadores para apresentarem as suas investigações de forma íntima e exploratória. Funcionou como uma pequena embaixada cultural, abrindo portas aos discursos contemporâneos da arte e da sociedade, estimulando o diálogo interseccional sobre as condições do mundo.
Conversa em língua inglesa.
💻 Participação gratuita, mediante inscrição prévia através do formulário ou e-mail servico.educativo.museu@ccb.pt.
A Fundação Centro Cultural de Belém reserva-se o direito de proceder à captação, armazenamento e utilização de registos de imagem, som e voz, com a finalidade de difusão e de preservação da memória, quer das suas atividades culturais e artísticas, quer dos seus espaços. Para quaisquer esclarecimentos adicionais utilize o endereço eletrónico privacidade@ccb.pt
Biografias
Aleksanda Odette Kypriotaki nasceu e cresceu em Creta, filha de pais egípcio-libaneses e cretenses. Trabalhou como jornalista para alguns dos maiores meios de comunicação da Grécia e, em 2010, reinventou-se ao trabalhar em estreita colaboração com o seu tutor, Mark Fisher, e a sua turma no mestrado em Cultura Visual da Goldsmiths University, em Londres. Depois de viver numa comuna no deserto, a vida de Kypriotaki passou a girar em torno de estruturas coletivas de existência. De regresso a Creta, envolveu-se na criação de vários coletivos: a cooperativa Apo Koinou e a escola Paidokipos. Nos últimos anos, tem-se dedicado a investigar como os nascimentos podem ser compreendidos num contexto político, tema que se tornou um dos principais interesses da sua investigação pessoal. Há algum tempo, deixou o seu emprego para se dedicar novamente à escrita e a nadar no mar de manhã.
Miguel Cardoso vive em Lisboa, onde nasceu. Traduz regularmente, ensina às vezes, escreve quando pode. Entre as suas traduções mais recentes contam-se Vestuário contra as mulheres, de Anne Boyer (Cutelo, 2025), e Correspondência com Jacques Rivière, de Antonin Artaud (Tigre de Papel, 2024). Ensina no DocNomads – mestrado em Cinema Documental (Universidade Lusófona). Para lá de textos ensaísticos e outros dispersos, publicou nove livros de poesia. Os mais recentes são Quando Onde (com Maria Lis; Tigre de Papel, 2023) e Passageiros (Cutelo, 2025).
Polido é um músico e artista multidisciplinar da Marinha Grande. Ancorado numa abordagem materialista sobre o som, o seu vocabulário é composto por gravações pessoais e samples. A partir do processamento desta matéria-prima, Polido constrói narrativas surreais para espaços concretos.
O seu trabalho movimenta-se sobre o eixo da história da música portuguesa, da memória cultural e dos fenómenos sociopolíticos, à procura de algum limiar entre o reconhecimento e a alienação destas formas. Polido dirige a editora embrionária Projecto de Vida, e a sua música tem sido editada com os selos da Holuzam, ANA, Bus Editions, e Lynn.
Margarida Mendes é investigadora, artista, curadora e educadora, A sua prática explora a mediação ecológica, com enfoque no cruzamento entre as artes visuais, o cinema experimental, as práticas sonoras e as humanidades ambientais. Cria fóruns transdisciplinares, exposições e obras experimentais em que modos de educação alternativa e práticas de auscultação podem catalisar a imaginação política e ações restauradoras. Integrou na equipa curatorial da 11.ª Gwangju Biennale, a 4.ª Istanbul Design Biennial, 11.ª Liverpool Biennale, e a 3.ª Porto Design Biennale. Dirigiu diversas plataformas educacionais, como escuelita, uma escola informal do Centro de Arte Dos de Mayo — CA2M, Madrid; o espaço de projetos artísticos The Barber Shop, em Lisboa, dedicado à pesquisa transdisciplinar; e a plataforma de pesquisa ecológica Matter in Flux. Margarida é doutorada pelo Centre for Research Architecture, Goldsmiths University of London, e professora convidada no mestrado de Geo-Design na Design Academy Eindhoven.