Datas / horários
De 1 de junho a 4 de novembro de 2025 Praça CCB
Museu
Oficina
Na Casa Esquiça, brincar é uma profissão a tempo inteiro e a coisa mais séria da vida.
Cada tábua que a constrói é uma espécie de corpo com 9/10 o(ri)fícios que o ligam aos outros e ao resto do mundo. Através deles, respira, olha, escuta, cheira, come, fala, grita, segreda, toca, choca, sente, deseja, dá à luz e dá a luz, como presente a quem se demorar nela.
É uma casa onde o coletivo é o corpo, onde cada um é muitos, conforme as ligações de afeto que for capaz de criar entre si e aqueles que o atravessam. Todos nós estamos nela. É a tradução dos gestos do nosso corpo em espaço relacional. O lugar onde podemos acertar-nos com o corpo próprio, com o dos outros e apropriarmo-nos cosmicamente do mundo.
Que género de casa é esta?
É uma casa alegre, de origem animal, vegetal e mineral, com órgãos cooperativos cuja identidade escultórica supera a f-utilidade do género programático e performativo.
Vive ficcionalmente como d’obra performática de brincar. Cria laços e espantos. Cada um dos seus lados sopra e traduz formas misturadas de Ser-Humano, prontas a dialogar com quem se aproximar das suas (pa)redes sociais, repletas de buracos: as portas e as janelas constelam-na como orifícios de câmaras escuras.
Nela as palavras voam de um lado para o outro, entram e saem alegremente, fazem ninho na imaginação de quem a namorar. É um Livro de Areia que pesa a corporosidade do mundo.
É uma casa espanta-corpos, reflexo da vocação infantil de brincar de casa.
Somos sonhadores de casas. Desde as cavernas que as colecionamos em nós, umas dentro das outras. Somos povoações inteiras, portadores de aleg(o)rias estéticas.
A partir de um conjunto de «esquiças» feitas à medida de cada um dos orifícios das tábuas-corpo que a constroem, Os Espacialistas propõem um conjunto de i-medi(a)ções das intensidades reais e imaginárias, entre o corpo de quem a brinca e os seus lados de tábuas esquissadas com as medidas anatómicas, de palmos, pés, braças, pernas, côvados, polegadas e varas.
Esquiçar é furar, espreitar, desejar e desenhar o mundo.
A esquiça é o volume cilíndrico que tapa o furo: o vazio negativo da forma da vida por onde se entornam os sentidos, a imaginação e o tempo em estado puro; o forâmen anatómico por onde passam os cabos dos músculos, dos vasos e dos nervos do nosso corpo-casa.
A esquiça é um pau, um cilindro, um carote, uma rolha, um batoque, um fio, um tubo, uma conduta, um dedo, um braço, uma perna, uma face, uma moeda. O positivo i-material do mundo.
A Casa Esquiça tem os olhos postos no céu, antecipa a natureza cloroplasta e topológica do mundo.
É um dispositivo poético de aproximação corporal que satisfaz o nosso instinto primordial de olhar poeticamente para o interior das coisas. Nela, podemos olhar-nos através dela, só temos de escolher o corpo de dentro ou de fora do que nós vemos, do que nos olha, religa e relê continuamente.
A Fundação Centro Cultural de Belém reserva-se o direito de proceder à captação, armazenamento e utilização de registos de imagem, som e voz, com a finalidade de difusão e de preservação da memória, quer das suas atividades culturais e artísticas, quer dos seus espaços. Para quaisquer esclarecimentos adicionais utilize o endereço eletrónico privacidade@ccb.pt
Casa Esquiça (c) José Carlos Carvalho
Casa Esquiça (c) José Carlos Carvalho
Casa Esquiça (c) José Carlos Carvalho
Casa Esquiça (c) José Carlos Carvalho
Casa Esquiça (c) José Carlos Carvalho
Casa Esquiça (c) José Carlos Carvalho
Casa Esquiça (c) José Carlos Carvalho
Os Espacialistas
Nós somos 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, ∞
Os Espacialistas é um projeto laboratorial de investigação teórica e prática das ligações transdisciplinares entre Arte, Arquitetura e Educação com início de atividade em 2008.
Substituem o lápis pela máquina fotográfica, enquanto dispositivo de desenho, de pensamento, de perceção e de diagnóstico do espaço natural e construído, e as suas ações são reguladas pelo Diário do Espacialista e auxiliadas pelo «Kit Espacialista Por/táctil» que transportam consigo.
Entre os trabalhos realizados destacam-se: projetos de assistência arquitetónica e artística a obras de arquitetura e arte, projetos de arquitetura, exposições de fotografia, vídeos, instalações, espaços cénicos, performances, colaborações literárias, ilustrações fotográficas, oficinas, seminários e publicações.
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Marcações e Contactos
☎️ Marcações pelo 213 612 800 (chamada para a rede fixa nacional), de segunda a sexta-feira, das 10:00 às 13:00 e das 14:00 às 17:30.
💻 Marcações por e-mail servico.educativo.museu@ccb.pt ou através do formulário
