Integrado no Ciclo De Zeus a Varoufakis

Oresteia, de Ésquilo

© Bruno Simão

© Bruno Simão

Uma família em queda, a de Atreu, carrega uma maldição. Vinganças, mortes e sangue vêm perseguindo esta família.
Em Agamémnon assistimos à chegada do herói depois da vitória na guerra de Troia, e ao seu assassinato, planeado pela esposa Clitemnestra e Egisto, seu amante e primo de Agamémnon (banido do reino pelo assassinato de Atreu). A morte de Agamémnon é a vingança por ter morto Ifigénia, sua filha, entregue em sacrifício aos deuses. A peça narra também a previsão de Cassandra: o crime que levará à sua própria morte e à de Agamémnon.
Nas Coéforas, Orestes, filho de Agamémnon e Clitemnestra, vinga a morte do pai, assassinando a sua mãe e também Egisto. Orestes tem o apoio da irmã Electra e do deus Apolo. Mas é imediatamente atacado pelas Erínias (deusas do remorso) e enlouquece.
A peça final, Euménides, trata do julgamento de Orestes. Apolo, que o tinha encorajado a matar a mãe, partilha com ele o sentimento de culpa e aconselha-o a pedir auxílio à deusa Atenas. Esta pede um julgamento, que favorece a inocência de Orestes, acabando assim a maldição na casa de Atreu.

 «A Justiça lutará contra a Justiça»
Ésquilo, Coéforas

Quando ouvimos falar de tragédia grega vem-nos logo a imagem de deuses e heróis distantes, guerras, mortes, destino… O destino dos homens na mão dos deuses, o destino dos homens nas suas próprias mãos. E o que fazer quando os deuses nos põem à prova? Ou quando escolhemos o nosso próprio destino? Seremos deuses?
Confrontar-nos com um texto destes é sermos convocados a fazer parte dele e, enquanto indivíduos, a fazer parte do espetáculo; tomarmos partido e continuarmos a pensar sobre o papel da cidade na vida dos homens. É voltarmos às bases do que somos hoje. Os gregos são incríveis nisso de nos chamar para fazermos parte da noite: ouvir a voz da cidade, dos deuses e dos homens; como se todos fossem um só. É o que queremos fazer: pensarmos em nós, hoje.
Oresteia é um conjunto de três peças do dramaturgo grego Ésquilo: Agamémnon, Coéforas e As Euménides. É por muitos considerada a grande obra-prima de Ésquilo e da literatura ocidental, tendo sido representada pela primeira vez em 458 a. C., nas festas dionisíacas de Atenas. A obra aborda temas como a culpa e a expiação, o sentido do sofrimento humano, a responsabilidade do homem em relação aos outros homens e a consciência frente ao destino.


Ésquilo autor
Tónan Quito direção
Patrícia Costa consultadoria artística
Miguel Castro Caldas versão e dramaturgia (a presente versão teve como base a tradução de Manuel de Oliveira Pulquério e de José Pedro Moreira (Agamémnon) e foram consultadas as traduções e versões de Robert Fagles, Ted Hughs, Tony Harrison e Pier Paolo Pasolini)
Cláudia Gaiolas, Francisco Camacho, Isabel Abreu, Miguel Borges, Tónan Quito, Vera Mantero, Efthimios Angelakis interpretação
F. Ribeiro cenografia
Daniel Worm desenho de luz
Pedro Costa desenho de som
José António Tenente figurinos
Valentim Quaresma adereços de cabeça e armadura
Dead Combo música
Otelo Lapa assistência de encenação
Apoio O Espaço do Tempo
Agradecimentos Hugo Neves, Teatro Nacional D. Maria II, José Pedro Serra e Mariana Vieira

 
Coprodução | CCB | HomemBala





Este espetáculo está integrado no ciclo DE ZEUS A VAROUFAKIS

A Grécia nos Destinos da Europa

Da Grécia Antiga à atualidade, este núcleo programático percorre algumas das ideias e valores que a cultura grega incutiu no solo cultural do ocidente, moldado e consolidado através das várias expressões artísticas que dão corpo e estruturam um modo de ser, ver, sentir e pensar.
Num momento em que a Europa, herdeira deste caldo multímodo e multicultural, parece esquecer-se dos fundamentos que lhe foram desenhando o rosto, é altura de acolhermos pela arte o modo diverso de sermos europeus, revisitando a Grécia do passado e a atual, deixando-nos interpelar pela força da imaginação e das várias expressões artísticas.


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17, 19, 21, 22, 23 e 24 fevereiro 2018 | 21:00
18 fevereiro 2018 | 16:00

 

 

M/12
Duração Aprox. 2h30
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