Literatura e Pensamento

Conferência | Nos 150 anos da Morte de Baudelaire

pelo Professor Robert Kopp especialista em Literatura Francesa do Séc XIX

Professor Robert Kopp

Professor Robert Kopp

Baudelaire

2017 é um ‘ano redondo’ para Baudelaire: passam 150 anos sobre a data da sua morte, ocorrida em 31 de Agosto. Ainda hoje são imponentes a sua poesia, a sua figura, os seus escritos de crítica de arte e, provavelmente continuarão a ser nos anos vindouros.  
A França de Baudelaire estava lançada na Revolução Industrial. Baudelaire viveu uma parte significativa da sua vida na França governada pelo imperador Napoleão III. A imprensa escrita proliferava e estavam criadas as bases sólidas de uma indústria do divertimento com a criação de centenas de gazetas e de jornais: acima de tudo, era preciso entreter e fidelizar um público de leitores ávidos de novidades, uma população cada vez mais numerosa em Paris, a capital cuja população era estimada num milhão e seiscentos mil habitantes, à época do redesenhar da cidade nas obras concebidas pelo barão Haussmann. Os salões de artes, de pintura e de escultura eram periodicamente organizados em espaços nobres como o das galerias do Museu do Louvre e os jornais davam muito destaque às obras e também aos artistas. Onde é que o jovem Baudelaire começou por se lançar? Na imprensa, claro, escrevendo crítica de arte, fazendo crítica aos salões de pintura e de escultura, tal como tinham feito Stendhal, Balzac, Alfred de Musset e Théophile Gautier. Face à sociedade burguesa, democrática e capitalista, uma sociedade que pretendeu tratar a literatura como um artigo comercial, um ‘dândi’ como Baudelaire recusou ser uniformizado, surgindo com a sua posição anti-burguesa, querendo afirmar a sua excepcionalidade e a sua irredutível singularidade enquanto indivíduo. É sobre Baudelaire como jornalista e como crítico dos salões de arte que nos vem falar o suíço Robert Kopp, um dos maiores especialistas mundiais em Baudelaire.

                                                                                                           Ana Rocha



1ª conferência | 24 outubro 2017 | 18:00
Baudelaire face a Ingres, Courbet e Delacroix


Antes de se tornar conhecido como poeta, já Baudelaire gozava de reputação como crítico de arte e como  tradutor de E.A.Poe. Desde o Salão de 1845, Baudelaire fez de Delacroix um modelo da arte romântica.Mas ele não é insensível à sensualidade das mulheres de Ingres e de Courbet, um dos seus amigos. Como é que ele evoluiu rodeado destas três grandes figuras da pintura do século XIX? Qual é a evolução da sua estética? É o que se irá demonstrar, acompanhando Baudelaire desde os seus primórdios  até à descoberta do barroco belga, no final da vida, passando pela sua apreciação da Exposição Universal e do Salão de 1859.

2ª conferência | 26 outubro 2017 | 18:00
Quadros Parisienses: Baudelaire, Daumier, Manet, Guys.

Baudelaire foi o mais  parisiense  de todos os poetas franceses. Passou toda a sua vida em Paris e viveu a transformação da capital empreendida  pelo barão Haussmann.  Desde 1845, data do primeiro Salão que visitou, em busca de um pintor da vida moderna susceptível de representar  a vida contemporânea numa grande cidade, ele olhou em várias direcções.  Primeiro viu  em Daumier um  equivalente de Balzac, todavia  a caricatura não  era uma grande arte. Manet escapou-lhe pois não passava "do primeiro na decrepitude da (sua) arte". Finalmente descobriu Constantin Guys, um artista menor, pois a época já não era mais capaz nem de produzir nem de compreender a grande pintura e a grande poesia.


Produção | CCB

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24 e 26 outubro 2017 | 18:00

Centro de Congressos e Reuniões | Piso 1
M/12
90 min
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