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Receção Piso 1

Na receção do piso 1 encontra-se um conjunto de assentos baixos e mesas de apoio, através dos quais Daciano explorava as afinidades formais entre a arquitetura e o mobiliário que a pontua. O edifício distingue-se pela geometria rigorosa, pelo predomínio do ângulo reto, pela expressão dos volumes opacos e pela escala inusitada dos espaços coletivos.

 

Os móveis apresentam-se como grandes objetos autónomos e pesados, que assentam no pavimento através de fortes apoios paralelepipédicos. Em contraste, as arestas visíveis dos assentos são reduzidas ao mínimo e os tampos das mesas parecem quase não ter espessura nem peso. A designação escolhida para estas peças, “Boroa”, evoca as formas onduladas do pão de milho e remete para o imaginário popular, enquanto a construção em chapa metálica revela o seu caráter industrial.

 

Estas peças, em destaque em várias zonas do CCB, foram reintroduzidas em 2005 na Casa da Música e, em 2022, reeditadas pelo Atelier Daciano da Costa sob a direção de Inês Cottinelli para a Estação Sul e Sueste, junto ao Terreiro do Paço. Em 2015, os desenhos técnicos, esboços e o protótipo original de 1993 integraram a coleção permanente do Centre Georges Pompidou, em Paris.

Foyer Luís de Freitas Branco

No Foyer Luís de Freitas Branco encontram-se um sofá de três lugares, poltronas e mesas concebidos por Daciano da Costa para o edifício-sede da Fundação Calouste Gulbenkian, entre 1966 e 1969. Estas peças integram um conjunto desenvolvido para áreas de espera e circulação, caracterizado por volumes simples, estrutura robusta e proporções regulares.

 

O mobiliário evidencia a abordagem funcional e racional adotada por Daciano na definição do equipamento dos espaços públicos, onde a clareza formal e a contenção decorativa são determinantes. A utilização destes elementos no foyer contribui para a continuidade tipológica e material observada noutros pontos do CCB, mantendo a presença de conjuntos que se tornaram recorrentes na obra do autor.

Sala de Leitura

Na Sala de Leitura pode ver-se hoje uma combinação de poltronas e mesas desenhadas por Daciano para o edifício-sede da Fundação Calouste Gulbenkian, de 1966 a 1969, juntamente com mesas da linha “Boroa”. Encontra-se também uma peça de mobiliário fixo, um balcão que integra um programa concebido para acolher funções de receção, informação, bilheteira e bengaleiro, tal como se observa noutros espaços, como no Bengaleiro do Pequeno Auditório.

Sala do Wi-fi

Hoje em dia já não é possível observar as áreas de restauração tal como Daciano da Costa as concebeu, mas as peças móveis permanecem presentes. A Sala do Wi-Fi reúne peças selecionadas de conjuntos originalmente projetados para outras obras. Algumas tiveram origem no projeto do Hotel Madeira Palácio, no Funchal, de 1970 a 1971, como as mesas de formas ortogonais, e as cadeiras Alvor-Grill, utilizadas no restaurante e inicialmente concebidas para o Grill do Hotel Alvor Praia, no Alvor, de 1966 a 1968.

Foyer Sophia de Mello Breyner Andresen

No Foyer Sophia de Mello Breyner Andresen, assim como no Bengaleiro do Grande Auditório, encontram-se cadeiras e mesas Quadratura, originalmente desenhadas para o Laboratório Nacional de Engenharia Civil e, mais tarde, comercializadas pela Metalúrgica da Longra, com linhas mais finas e ligeiras alterações em relação ao modelo original de 1971. Estas peças delimitam um volume de espaço virtual e estabelecem um jogo formal onde se reconhece a relação entre círculos e quadrados. Tornaram-se um dos conjuntos mais icónicos de Daciano da Costa e, em 2022, a cadeira passou a integrar a coleção do Vitra Design Museum.

Foyer da Sala Fernando Pessoa

A linha de poltronas e sofás, de volumes rotundos e opulentos, recebeu o nome La Stupenda, numa homenagem a uma diva da ópera. Daciano reuniu aqui as consolas que desenhara originalmente para a sala de jantar da administração da TAP, no Aeroporto de Lisboa, em 1971, juntamente com mesas Boroa com tampo em raiz de nogueira.

Gabinetes Piso 3

Os gabinetes de trabalho foram equipados com mobiliário da linha Metropolis, desenhada por Daciano da Costa e produzida pela Metalúrgica da Longra a partir de 1988.

 

Cada modelo resulta da relação entre figuras geométricas e volumes elementares como retângulos, triângulos, círculos, cubos, prismas e cilindros, semelhantes a peças de um jogo que remete para as vanguardas artísticas do início do século XX, incluindo o construtivismo russo, o neoplasticismo holandês e o futurismo italiano.

 

As estruturas são construídas com materiais, técnicas e linguagens formais, características da produção industrial em série, com painéis em chapa de aço pintados em cinzento metalizado. Em contraste, os tampos de trabalho são folheados a raiz de nogueira, resultado de um processo manual, minucioso e demorado. O rebordo é contornado por um encabeço de dois níveis em madeira maciça, reforçando a espessura do tampo. A dignidade da tradição artesanal e das artes decorativas, bem como a nobreza dos materiais naturais e raros, acentuam a dimensão sensorial da experiência.

 

Sobre esta base escura, sólida e imponente, os blocos de gavetas surgem como simples caixas metálicas pintadas num vermelho intenso, num gesto de provocação. Daciano pensava nos utilizadores desses gabinetes e propunha-lhes uma família de companheiros improváveis, onde cada móvel poderia assumir o papel de uma personagem coloquial e estimulante dos ambientes de trabalho, suavizando um quotidiano marcado pelo isolamento e pela solidão. Esta proposta respondia à contradição entre a pragmática de um design industrial funcionalista e a poética de um design crítico pós-funcionalista.

Foyer do Grande Auditório

Para o foyer do Grande Auditório, Daciano selecionou as poltronas, sofás e banquetas que desenhara para o edifício-sede da Fundação Calouste Gulbenkian, de 1966 a 1969, reinterpretados em madeira de nogueira e pele preta.

 

No interior do Grande Auditório podem observar-se as cadeiras de plateia, desenhadas especificamente para o espaço. Estas formam grandes conjuntos solidários, semelhantes a muretes contínuos de clara definição arquitetónica, recusando a habitual repetição de um módulo individual. Mais tarde, estas cadeiras foram também integradas no Auditório do MUDE, no número 24 da Rua Augusta.

 

As cadeiras dos camarotes e das galerias de público reinterpretam a clássica cadeira de teatro, sendo construídas em madeira de carvalho e revestidas com o mesmo veludo dourado utilizado nas cadeiras de plateia.

 

Ao contrário do previsto nas fases iniciais do projeto, o Grande Auditório viria a ser mais do que um espaço para congressos. Acompanhando o alargamento das suas funções, que passaram a incluir música, teatro, ópera e cinema, o Atelier Daciano da Costa participou ativamente, com o apoio de diversos consultores técnicos especializados, no desenvolvimento do palco e das áreas técnicas dos dois auditórios, incluindo a concha acústica e um extenso conjunto de camarins individuais, duplos e coletivos.

Bengaleiro do Grande Auditório

Para aplicação em todo o CCB, foi proposto um programa de balcões destinados a acolher funções de receção, informação, bilheteira ou bengaleiro. Construídos em madeira de carvalho, com remates em latão, constituem composições simétricas de volumes opacos, bem ancorados ao solo, que procuram integrar-se na sua envolvente imediata.

No Bengaleiro do Grande Auditório encontram-se igualmente mesas e cadeiras da linha Quadratura, originalmente concebidas para o Laboratório Nacional de Engenharia Civil e posteriormente comercializadas pela Metalúrgica da Longra. A presença destas peças introduz no espaço o conjunto formal característico da linha, marcado pela articulação entre figuras geométricas simples e pela relação entre os planos circulares e quadrangulares que definem a série.

Foyer do Bengaleiro Norte

À semelhança de outros espaços, aqui encontramos exemplares dos sofás, poltronas e mesas desenhados por Daciano para o edifício-sede da Fundação Calouste Gulbenkian, de 1966 a 1969. Estas peças versáteis surgem um pouco por todo o edifício do CCB.

 

Imagem: Sofá e Poltrona Fundação – Daciano da Costa (c) Luísa Ferreira

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