Na receção do piso 1 encontra-se um conjunto de assentos baixos e mesas de apoio, através dos quais Daciano explorava as afinidades formais entre a arquitetura e o mobiliário que a pontua. O edifício distingue-se pela geometria rigorosa, pelo predomínio do ângulo reto, pela expressão dos volumes opacos e pela escala inusitada dos espaços coletivos.
Os móveis apresentam-se como grandes objetos autónomos e pesados, que assentam no pavimento através de fortes apoios paralelepipédicos. Em contraste, as arestas visíveis dos assentos são reduzidas ao mínimo e os tampos das mesas parecem quase não ter espessura nem peso. A designação escolhida para estas peças, “Boroa”, evoca as formas onduladas do pão de milho e remete para o imaginário popular, enquanto a construção em chapa metálica revela o seu caráter industrial.
Estas peças, em destaque em várias zonas do CCB, foram reintroduzidas em 2005 na Casa da Música e, em 2022, reeditadas pelo Atelier Daciano da Costa sob a direção de Inês Cottinelli para a Estação Sul e Sueste, junto ao Terreiro do Paço. Em 2015, os desenhos técnicos, esboços e o protótipo original de 1993 integraram a coleção permanente do Centre Georges Pompidou, em Paris.