Datas / horários
16 de maio 2021 11:00
Música
Música de Câmara
Escrita na última década da sua vida, a inacabada Arte da Fuga (BWV 1080) de Bach é o culminar do estilo de composição contrapontístico do compositor alemão e é considerada uma das maiores obras-primas da música ocidental.
Kenneth Weiss começou a trabalhar na Arte da Fuga durante o verão de 2019, após um convite para interpretá-la no Festival Bach de Lausanne, em novembro de 2020. Rapidamente o músico ficou imerso nesta obra, quase ao ponto da obsessão. Weiss regressou, inevitavelmente, à Arte da Fuga durante o confinamento devido à pandemia de Covid-19, entre março e abril de 2020, em Paris. Nesta altura, a obra provou ser uma espécie de conforto durante o isolamento aparentemente infinito de Kenneth.
Agora, o músico regressa ao CCB para apresentar esta obra-prima de Johann Sebastian Bach, sendo que irá tocar num verdadeiro tesouro nacional, o cravo Taskin, que se encontra no Museu Nacional da Música.
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Kenneth Weiss escreve: «Tirar algum tempo de um mundo repleto de distrações, de forma a estarmos totalmente presentes num mundo alternativo que prima pela excelência, é uma dádiva acessível a todos através da Arte da Fuga de Bach. Na sua última composição, Bach levou o seu talento insuperável de escrita polifónica a patamares ainda maiores. Ao limitar-se a um único tema e ao focar-se numa série complexa de variações contrapontísticas, Bach criou um monumento para a eternidade.
O próprio tema, que retém a sua essência original enquanto sofre variações, pode ser visto como uma representação da nossa força vital em constante evolução. Que a fuga final, na qual o compositor escreveu o seu próprio nome, B-A-C-H, como um sujeito musical, esteja inacabada, potencia ainda mais a experiência desta obra.
À medida que a ouvimos, o espírito criativo que vive dentro de cada um de nós une-se à força e ao espírito de Bach – inacabado e eterno.»
O Cravo Taskin
O cravo Taskin data de 1782 e foi construído pelo belga Pascal-Joseph Taskin (1723-1793) radicado em Paris, que trabalhou na oficina da família Blanchet, celebrizada por ilustres mestres construtores. Pascal-Joseph Taskin fez parte da Corporação de Construtores e trabalhava para a Casa Real e para o Rei Louis XVI de França. Em 1780, na sua oficina, construíam-se cravos e pianofortes e, apesar da ligação à corte, continuou próspero e imune à Revolução Francesa, até à data da sua morte em 1793.
Com a Revolução Francesa foram destruídos muitos bens patrimoniais, entre os quais cravos que pertenciam a membros da nobreza. Aliado a este fator, o aparecimento do piano contribuiu também para o desaparecimento gradual deste tipo de instrumento. Assim, a coleção de cravos de Pascal-Joseph Taskin ficou reduzida a 8 exemplares que estão espalhados por várias partes do mundo, em museus e coleções particulares.
O instrumento musical do Museu Nacional da Música tem elevado valor histórico, estético, técnico e material, por ter sido um exemplar construído a pedido do rei francês para o oferecer à sua irmã Marie Clotilde. Concebido de forma luxuosa, é considerado um dos melhores exemplos do trabalho requintado deste grande construtor.
É decorado com chinoiserie relevada e policromada de muito boa qualidade. A rosácea de Andreas Ruckers, o tampo harmónico decorado com motivos florais e datado de 1636 e a inscrição «Andre Rukuers Anee 1636» no frontal, remetem partes do instrumento para uma autoria anterior. Designado por ravalement, o reaproveitamento de partes de instrumentos mais antigos de mestres famosos era um procedimento habitual na oficina de Pascal Taskin. Segundo testes dendrocronológicos, cujos resultados foram conhecidos em fevereiro de 2019, a parte da madeira com inscrições Ruckers data de facto do séc. XVII (1625). No entanto, a confirmação da assinatura «Ruckers» requer peritagem, a ser levada a cabo num futuro breve.
O Cravo Taskin esteve sempre ligado a figuras relevantes da aristocracia europeia: o rei de França, que fez a encomenda do instrumento, Marie Clotilde, sua irmã, a quem o cravo foi oferecido, o rei Umberto II de Itália, obsequiado pela cidade de Turim com este instrumento musical no seu casamento e, finalmente, a Marquesa de Cadaval, que o recebeu do Rei Umberto II. Os vínculos institucionais reforçam também a sua importância: a Corte Francesa, a Corte da Sardenha (por casamento de Marie Clotilde com o príncipe Carlos Emanuel IV, futuro rei da Sardenha), o Museo Civico di Arte Antica da cidade de Turim (antes de ser seu proprietário Umberto II), a Casa de Sabóia, e o Estado Português, que o adquiriu e classificou como Tesouro Nacional.
O processo de restauro deste instrumento foi complexo e minucioso, ao longo do qual se desenvolveu um saudável e constante diálogo entre o museu e vários especialistas: o restaurador Ulrich Weymar foi o autor da intervenção na mecânica do cravo, técnicos de madeira e pintura de empresa de restauro e do Laboratório José de Figueiredo consolidaram a caixa e recuperaram a decoração, e finalmente o restaurador Geert Karman fez a harmonização e um novo jogo de saltarelos. Simultaneamente foram ouvidos investigadores e conhecedores da história do cravo, assim como cravistas. A recuperação do cravo Taskin foi, sem dúvida, uma notícia muito esperada e importante para o património organológico português e mundial. Como reconhecimento por este trabalho multidisciplinar, o Museu Nacional da Música ganhou o Prémio APOM2019 na Categoria Conservação e Restauro.
Texto gentilmente cedido pelo Museu Nacional da Música.
Programa de Sala
Idades
Maiores de 6 anos
Ficha Técnica
Cravo Kenneth Weiss
Programa
Johann Sebastian Bach (1685-1750) A Arte da Fuga, BWV 1080
- Contrapunctus 1
- Contrapunctus 2
- Contrapunctus 3
- Contrapunctus 4
- Canon per Augmentationem in Contrario Motu
- Contrapunctus 5
- Contrapunctus 6
- Canon alla Duodecima (in Contrapunto alla Quinta)
- Contrapunctus 7
- Contrapunctus 8
- Contrapunctus 9
- Canon in Hypodiapason (Canon alla Ottava)
- Contrapunctus 10
- Contrapunctus 11
- Canon alla Decima (Contrapunto alla Terza)
- Contrapunctus 12 rectus
- Contrapunctus 12 inversus
- Contrapunctus 13 rectus
- Contrapunctus 13 inversus
- Contrapunctus 14 (inacabado)
Preços e Descontos
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