Datas / horários
Terças-feiras, 12 janeiro, 16 fevereiro, 9 março, 20 abril, 18 maio e 15 junho de 2027 19:00
Conferências
Conversa
Há outros nas nossas vidas — é desse facto que este ciclo parte. Ao longo de seis sessões, António de Castro Caeiro propõe percorrer as diferentes figuras desse «ser com os outros», através de um conjunto de perguntas sobre a nossa relação com eles.
Como nos aproximamos e nos afastamos uns dos outros? A amizade confronta-nos com um «outro eu»; o amor permite a duas pessoas diferentes comungar de uma mesma atmosfera afetiva; a família, restrita ou alargada, apresenta-se como uma primeira comunidade. Como vivemos a presença dos que chamamos «nossos»? A reflexão estende-se ainda ao reconhecimento do outro como inimigo e à possibilidade de, no meio do ódio, encontrar afinidades.
A intersubjetividade funda qualquer relação com os outros, mesmo quando não há empatia. Com Platão, Aristóteles, Descartes, Kant, Hegel, Husserl, Heidegger e Arendt, entre outros, o ciclo coloca um paradoxo no centro da reflexão. Como pode cada pessoa ser portadora de toda a humanidade e, ao mesmo tempo, viver na mais completa solidão?
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Programa
Sessão 1 — 12 de janeiro
O outro sob a perspetiva do próprio
Os outros são aqueles que julgamos estar vivos, que têm uma vida, que habitam o lado solar da existência. E nós, quem somos? Do lado lunar da vida, vistos a partir do ponto de vista dos mortos, seremos os fantasmas desses outros? Seremos nós, os vivos, os verdadeiros fantasmas dos outros? É desses outros que as nossas vidas são feitas — não só depois de terem desaparecido, mas também quando aí deixam um céu cheio de esperança, ao aparecerem.
Sessão 2 — 16 de fevereiro
Um outro eu: fazer, ter e perder outros. Proximidade e distância
A anulação da distância converte o outro estranho em próximo, nas mais variadas aceções do termo: alguém de quem nunca se ouviu falar, alguém de quem se ouviu falar, alguém de quem se sabe quem é, o conhecido, o chegado, o amigo, o irmão. Ser com outro admite esta possibilidade mais radical: a de não nos conhecermos a nós próprios sem outros que nos são especiais. O efeito que causamos na vida dos outros. Os mal-entendidos, ou a mudança de tonalidade afetiva que gera desavenças. O esquecimento de como éramos. A distância quase total, como era no princípio, quando éramos estranhos um para o outro.
Sessão 3 — 9 de março
Os inimigos: o avesso de si próprio. Ódio e ressentimento, guerra e paz.
O inimigo pode ser uma nemesis do próprio. Quer-se a vida do outro, o outro quer a nossa, e eu próprio quero a do outro. Inveja ativa que visa expulsar o outro da sua vida. Se cada um for animado por um desejo ardente, anelando para si tudo, como é possível o convívio ou a coexistência com outros animados pela mesma ganância existencial? A ameaça existencial, a inimizade, o rancor, o ódio e o ressentimento constituem uma relação possível entre si e os outros. Há bases de entendimento ou passamos despercebidamente uns aos outros? É a guerra que procura a paz e a paz que prepara a guerra?
Sessão 4 — 20 de abril
Presença da ausência: abominação da desolação e comunhão
Como se inscreve um outro na nossa vida? Quando chega, traz possibilidade. A possibilidade constitui-se no futuro, abre a compreensão de sentido onde antes não havia. Quando se perde um outro tão importante que a nossa vida fica esfacelada, irreconhecível, o tempo enche-se com a ausência de sentido, no estrangulamento do tempo. Não fica pouco tempo: fica antes a totalidade do tempo, comigo cá, sem quem importava de modo tão extremo que era a raiz do meu próprio acontecer. O elemento repetidor do sinal dessa ausência cancela a humanidade no seu todo — e, com ela, a própria possibilidade de ficar sozinho à espera de alguém.
Sessão 5 — 18 de maio
Os invisíveis e a indiferença ativa.
A nossa vida é habitada pela existência de outros, mas reduzidos à ausência de importância afetiva, ou pelo menos assim o parece. E, no entanto, a nossa vida depende deles. Os invisíveis são os que se ocupam das funções que mantêm a cidade viva e disponível, oferecendo-nos todos os serviços de que precisamos, mesmo fora das nossas horas de expediente. Do mesmo modo, é assim que podemos ser para os outros. Não sabemos o que fazemos nem como contribuímos para que a cidade funcione. O mesmo no campo, no mar, nas fábricas, em casa, a trabalhar online e offline.
Sessão 6 — 15 de junho
Aproximação (uns aos outros). Anulação da indiferença e a possibilidade de deixar comparecer a humanidade no seu todo em cada um
A pergunta filosófica sobre o sentido do ser dos outros conduz a um alargamento complexo deste conjunto de interrogações. A filosofia abre o horizonte em que cada um de nós está implicado na humanidade — isto é, na totalidade dos humanos, não apenas presentes e contemporâneos, mas também das gerações anteriores e das seguintes. A nossa vida é ser com outros. Mesmo que eu fosse o único ser humano vivo, estaria sempre remetido para um outro, que poderia até nunca ter existido, ou de cuja existência nunca poderia ter sabido.
Preços e Descontos
Nota: S/ descontos e S/ lugares marcados