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Dicionário de Artistas

A arte contemporânea como ponto de partida; a literatura pega nela e vai indo sem olhar um segundo para trás; calcula-se o vago ponto zero – o nome de um artista, uma obra – mas tudo o que vem a seguir existe nesse texto que começa a pensar pela sua própria cabeça.
Um texto tem cabeça e é com ela que o texto pensa.
Basta um indício visual para a linguagem se pôr a caminho e avançar por veredas estreitas e desvios a pique, subidas e descidas.
Interessa-me isto: a arte que se vê como modo de emitir por trás de si uma linguagem que é necessário extrair do solo da própria obra à força. O olhar de quem escreve faz isso: o que vê transforma-se em palavra, mas há neste começo claro, – as obras de arte contemporâneas – uma potência que conduz o texto por dentro. Sem este começo – a arte contemporânea – não haveria estes textos.
Este Dicionário de Artistas, este Museu, parte de um pormenor, detalhe ínfimo ou centro centralíssimo, da obra de um artista, nunca da biografia, e daí o texto vai para outro local qualquer.
Como um animal que tem fome parte do ninho para um ponto onde pressente o alimento, assim parte o texto à sua vida.
Mas nada de didático ou explicativo, os textos deste Dicionário são seres autónomos que saem à rua livres e bem sozinhos depois da meia-noite. – Gonçalo M. Tavares

4. Espanto

dedicado a Matthew Barney

Materiais moles exibem a segunda parte de um fenómeno de que ninguém viu o início. As mobílias parecem invadidas por convulsões, mas estes distúrbios estão suspensos. Como se fosse possível fazer a estátua de um corpo que cai, no exacto momento em que cai. Não podes fazer uma estátua sem base, mas podes pensar nela, ou então fazer batota nos materiais que a constituem. Uma estátua-balão, por exemplo.

Orelhas feitas para ouvir o que ainda não começou a ser som. Orelhas grandes. Uma disformidade localizada, deficiência que permite uma maior eficiência lateral: o aumento de um lado é a prova de que esse lado se espantou. O espanto é uma técnica. O espanto é o pressuposto da atenção localizada, do aumento das possibilidades. Estar espantado é estar pronto para um alargamento das possibilidades. Estar espantado é inventar. O espanto é uma invenção do próprio corpo sobre si. Como alguém que faz um corte no seu braço, com uma lâmina escolhida entre objectos recebidos por herança familiar. O corpo espantado é o corpo que recebe um golpe.

Leitura por Ana Zanatti

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3. Pormenor

dedicado a Carl Andre

A firmeza exigida ao demónio faz deste a trave mestra do mundo. Endireitar o demónio é o processo básico da engenharia. Fazer algo é eliminar a desordem, a extraordinária capacidade da natureza para instalar o caos. Fazer é parar, à força, o mundo.

O demónio é uma energia desanimada, espalhada pelo espaço. Fazer algo é dar ânimo; alma, portanto. Isto é: dar uma direcção, impor um mapa e nesse mapa um caminho. Mas um caminho é já uma produção do homem; o mundo natural e a sua primeira voz – o demónio – não tem um caminho, mas todos e ao mesmo tempo: como alguém muito indeciso ou muito avarento que guarda tudo para si.

E o mais difícil é fazer devagar, fazer baixinho. Muito mais energia exige o pormenor. Todos os trabalhadores manuais, incluindo Deus, o sabem.

Leitura por Ana Zanatti

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2. Etiquetas

Darren Almond

A Realidade cheia de etiquetas como se ela própria necessitasse de indicações. A realidade precisa de linguagem para não se perder, nisto acredita o homem.
Mas a Realidade já existia antes do Homem, e antes do substantivo.
Não foi a palavra pedra que colocou a primeira pedra no mundo: foi a pedra que colocou a primeira palavra pedra na linguagem humana.
A realidade criou a linguagem; sem ela o linguista não teria coisas em que pudesse pousar as letras. A Língua ficaria vazia, à espera que a realidade começasse. Não houve, pois, um diálogo de gentilezas mútuas, um: comece você/ Não, primeiro você, faço questão. Nada disto. A Realidade entrou primeiro. Depois, muito mais tarde, veio a linguagem e começou a falar. E não se calou.

Leitura por Ana Zanatti

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1. Sapatos

Francis Alÿs

Quando calçamos os sapatos o mundo perde altura, muda.
Há uma inclinação do dorso das costas que corresponde à postura atenta de um investigador, e uma outra, que parece ganhar ânimo com o tambor distante ou com a proximidade do silêncio, que corresponde à postura do esqueleto de um poeta ou de um príncipe. Duas formas de relacionar a geometria e a anatomia (portanto). Ou te curvas, ou não te curvas.
Os sapatos levam atrás o caminho. Como se o caminho não fosse um elemento indiferente, mas participasse na perseguição, na fuga, na batalha. O espaço tem coisas, não é um mapa, não é um plano estúpido que só recebe; o espaço é uma forma de vigilância, é um volume, uma coisa orgânica.
Tens cidade nos pés, alguém podia dizer.

Leitura por Ana Zanatti

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CONVERSA

Gonçalo M. Tavares com Alicia Kopf

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