BOOK 2.0 no CCB: o lugar dos livros num mundo de algoritmos e IA
O CCB recebeu a quarta edição do BOOK 2.0 – O Futuro da Leitura, organizado pela Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL). Livros, literacia, educação, democracia e os desafios da transformação tecnológica estiveram no centro de um encontro que reuniu autores, editores, responsáveis políticos, académicos e profissionais da cultura de vários países.
Sob o mote “Regresso às Origens. Regresso aos Livros.”, e ao longo dos dois dias, o programa cruzou diferentes geografias, gerações e áreas de conhecimento. Sanna Marin, ex-Primeira-Ministra da Finlândia, refletiu sobre leitura e democracia; Markus Dohle, ex-CEO da Penguin Random House, abordou o poder duradouro do livro; David Hayman, responsável pelo Ano Nacional da Leitura do Reino Unido 2026, falou da necessidade de tornar a leitura uma prioridade nacional; e Luísa Sobral levou ao encontro a relação entre música, escrita e criação.
Passaram ainda pelo CCB nomes como Nuno Crato, Adolfo Mesquita Nunes, Luís Portela, Alessandra Carra, Joan Tarrida, Emma House, Erin Cox, Joel Halldorf, Mafalda Ribeiro e Daniela Pierre.
A Ministra da Cultura, Juventude e Desporto, Margarida Balseiro Lopes, lembrou na sua intervenção que ler continua a significar o confronto com uma perspetiva diferente da nossa, permanecendo nela o tempo necessário para a compreender.
O Cardeal José Tolentino de Mendonça, prefeito do Dicastério para a Cultura e a Educação no Vaticano, centrou a sua intervenção num dos desafios do presente: num mundo atravessado pela inteligência artificial, o risco não está apenas no que as máquinas são capazes de fazer, mas também na possibilidade de esquecermos o valor da experiência humana que está na origem das histórias.
No encerramento da manhã do segundo dia, o Presidente da República, António José Seguro, defendeu a necessidade de leitores mais críticos e informados, apelando a um novo impulso para as políticas de leitura e ao cuidado com a língua portuguesa enquanto bem essencial à vida em sociedade. A ideia de “bons livros contra o algoritmo da banalidade” marcou a sua intervenção.
A transformação digital esteve também em debate, numa conversa com o Ministro Adjunto e da Reforma do Estado, Gonçalo Saraiva Matias, enquanto outras sessões abordaram temas como a crise da atenção, as novas formas de chegar aos leitores e os desafios da visibilidade dos livros no atual ecossistema digital.
O encontro contou ainda com a presença do Conselho de Administração da Fundação Centro Cultural de Belém.
Ao acolher uma iniciativa que coloca em diálogo cultura, conhecimento, tecnologia e os grandes desafios contemporâneos, o CCB reforça uma das ambições do Plano Estratégico RE-VISITAR 2026–2030: afirmar-se como lugar de encontro entre arte, pensamento e sociedade, aberto à circulação de ideias, ao debate e a diferentes públicos e gerações.
Num mundo de algoritmos e de crescente fragmentação da atenção, o BOOK 2.0 deixou no CCB uma ideia essencial: continuar a ler é também continuar a pensar.
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BOOK 2.0 – O Futuro da Leitura
BOOK 2.0 – O Futuro da Leitura
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