Festival Monteverdi

Orfeu

La Venexiana

La Venexiana ©Kassel Venix

Na noite de 24 de Fevereiro de 1607, os apartamentos privados do duque de Mântua abriram-se para uma função musical a que hoje chamaríamos “experimental”. Tratava-se de ouvir e ver representada uma favola in musica encomendada pelo duque Francesco Gonzaga ao compositor Cláudio Monteverdi, autor de cinco famosos livros de madrigais. Se passasse a prova da audição privada, a obra deveria ser apresentada em público, como foi, uma semana depois, integrada nas comemorações do Carnaval mantuano. Essa noite ficaria célebre: foi aí que se estreou L’Orfeo, que muitos têm como a primeira ópera no sentido moderno. Ao apresentar a sua favola in musica, Monteverdi fizera questão de dar à partitura, e sobretudo ao canto, um papel que até aí estava fora das preocupações dos seus contemporâneos.
A favola de Monteverdi, com libreto do poeta Alessandro Striggio, retomava o mito de Orfeu e Eurídice, caro aos poetas e aos músicos do Renascimento, mas, em vez de o tratar como tragédia declamada ou recitativo acompanhado por música, como acontecera anos antes com a Eurydice de Jacopo Peri, apresentada em Florença por altura dos esponsais de Maria de Médicis com Henrique II de França, propunha uma apropriação musical do mito e o seu tratamento em forma de drama musical. Prima la musica
Característica distintiva da música de Monteverdi é o “dar vida à palavra e ao gesto mas também, e sobretudo, às personagens, aos seus estados de alma, que afloram nas entrelinhas”: a sua música é “a expressão simultânea de uma emoção espiritual e gestual” (Silke Leopold) e esse vai ser, durante um século e meio, em toda a Europa, o programa da música a que hoje chamamos barroca.

Produção | CCB

Apoio

16 Setembro 2017 |  21:00

M/6
2h
Enviar a um Amigo