Orquestra Sinfónica Portuguesa

Clotilde Rosa | Tchaikovsky

Buribayev Alan ©Simonvan Boxtel

Buribayev Alan ©Simonvan Boxtel

Duas obras que marcam o fim da vida de dois compositores: Tchaikovsky define a sua Sinfonia n.º 6 em Si menor, op. 74, como “a melhor música que compus ou algum dia comporei”, e o Concerto para Clarinete em Lá maior, K. 622 , de Mozart, a sua última obra puramente orquestral e que terá como solista Horácio Ferreira, vencedor da última edição do Prémio Jovens Músicos, iniciativa à qual se alia, uma vez mais, a OSP.  A abrir o concerto, a estreia mundial de Paisagem Interior, escrita em 1999 por Clotilde Rosa.

A Sinfonia n.° 6 de Tchaikovsky foi composta entre fevereiro e agosto de 1893 tendo sido a última sua obra publicada com o compositor ainda em vida. A Sexta Sinfonia foi também a última obra que o compositor dirigiu, a 28 de outubro de 1893, em São Petersburgo, uns escassos dias antes da sua morte. As circunstâncias que a envolvem e a própria característica da composição – sombria quase sempre com explosões de fúria e de grande lirismo - só poderiam levar a imaginação humana a atribuir-lhe o significado quase autobiográfico. Os poucos factos que se conhecem e que nos podem ajudar na procura de uma verdade mais factual, ainda que porventura menos romântica, são relativamente escassos. Sabe-se que o próprio compositor a nomeou de Pathétique. A palavra portuguesa “Patética” no seu uso atual não traduz a intenção do compositor que nos queria dar com esta indicação a noção de que esta era uma obra para ser ouvida “com o coração”, uma obra que pretendia desencadear emoções fortes. A segunda pista que temos quanto ao “programa” de Tchaikovsky relativo a esta peça pode ser encontrada numa carta que enviou ao seu sobrinho, a quem a Sinfonia é dedicada: “Sabes que destruí uma sinfonia que compunha neste Outono. Durante minha viagem tive uma ideia para uma outra sinfonia, desta vez com um programa, mas um programa que vai ser um enigma para todos – deixem-nos adivinhar; a sinfonia terá o nome Sinfonia com Programa... O programa em si mesmo estará cheio de subjetividade e chorei bastantes vezes na minha viagem enquanto a compunha mentalmente [...].” Como se pode ver por esta carta, Tchaikovsky chegou a pensar num outro nome para a sinfonia, mas resolveu aceitar a sugestão do seu irmão Modest, dado que este outro nome apenas iria chamar a atenção para o programa subjacente que não pretendia revelar, pelo menos não no imediato. Embora em quatro andamentos, esta sinfonia tem como distintivo o último andamento lento. Este andamento que parece desgarrado do resto da sinfonia, sobretudo se atendermos ao empolgante 3.º andamento, quase sempre aplaudido como se fosse o final da obra. Talvez por isso, e até pelo contraste absoluto entre estes dois andamentos, o 4.º nos pareça tão avassalador, como se de uma despedida se tratasse, uma janela para o mais íntimo e profundo do compositor.

Neste sentido, este concerto começa e acaba com verdadeiras paisagens interiores, primeiro a da compositora portuguesa Clotilde Rosa e, depois, o final da 6.ª de Tchaikovsky. Entre ambas as peças temos o famoso concerto para clarinete e orquestra de Mozart, interpretado por um dos mais talentosos músicos da nova geração em Portugal, o clarinetista Horácio Ferreira, Jovem Músico do Ano (PJM), em 2014.


Clotilde Rosa
Paisagem Interior (Estreia Mundial)
Wolfgang Amadeus Mozart Concerto para clarinete e orquestra em lá maior, K 622
Piotr Ilitch Tchaikovsky Sinfonia n.º 6 em Si menor, op. 74

Horácio Ferreira Clarinete
Alan Buribayev direção musical
Orquestra Sinfónica Portuguesa

Coprodução | CCB | OPART

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14 maio 2017 | 17:00

M/6
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