Sobre o CCB
“Um edifício como o do CCB é, antes de mais, um exercício de arquitetura propriamente dita. Os interiores são o dentro do de fora. Os interiores têm tanto que ver com o exterior como este tem que ver com a envolvente e com o próprio solo. […] Ocupei-me, com os arquitetos, de resolver discretamente alguns problemas projetuais complexos da ambientação de funções complexas muito específicas (equipamentos hoteleiros, equipamentos cénicos e de interiores…). Digo discretamente porque não havia lugar para intervenções marcantes — digamos, personalizadas — nos ambientes interiores, onde prevaleceram os grandes gestos arquitetónicos que estruturaram a sua imagem. Limitei-me aí, nos interiores, a resolver subproblemas dos acabamentos e dos detalhes. Se se tratasse de música, digamos que não fui um compositor, fui intérprete duma partitura difícil, mas apaixonante. Neste sentido fui, no entanto, um intérprete autónomo, para que não haja dúvidas acerca do que é uma intervenção como designer de interiores. Não houve decoração nem projeto especial de interiores. Houve um projeto geral de arquitetura onde me integrei. […] Os interiores não tinham de ser mais do que aquilo que foi feito pela minha equipa. De design de equipamento e mobiliário é que se pode falar […]. Nesta especialidade, foi claramente delimitado um projeto especial autónomo, com responsabilidades e definições técnicas e administrativas próprias. O que não significa um exercício de estilo estranho à arquitetura! Não há nenhum projeto de design correto sem que seja integrado.”
DACIANO DA COSTA | «TRAÇO DE MESTRE» (ENTREVISTA A CRISTINA CORDEIRO) | CASA CLÁUDIA, N.º67, NOVEMBRO DE 1993, PP. 86-92
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“Daciano integrou a equipa de projeto do Centro Cultural de Belém coordenada pelos arquitetos Manuel Salgado e Vittorio Gregotti desde a fase inicial do concurso internacional que os classificou em primeiro lugar. A sua especialidade de projeto foi designada DEM (design de equipamento e mobiliário), ou seja, o equipamento fixo — peças integradas na arquitetura —, sobretudo balcões para todo um conjunto de funções específicas, e o mobiliário — constituído, por definição, pelas peças móveis.[…]”
JOÃO PAULO MARTINS | O CCB POR DACIANO DA COSTA, 2023, PP. 15
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No âmbito do projeto de valorização da obra de Daciano da Costa, desenvolvido pelo Atelier Daciano da Costa, duas peças presentes no CCB foram incorporadas em coleções de dois importantes museus europeus. A Poltrona Boroa II, acompanhada dos respetivos desenhos técnicos e esboços, foi doada em 2015 à coleção do Centro Georges Pompidou. Já em 2022, a Cadeira Quadratura integrou a coleção do Vitra Design Museum. Ambas são peças icónicas e representativas do design de Daciano da Costa.
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“Ao contrário daquilo que sucedera na maioria dos seus projetos, no caso do CCB Daciano da Costa combinou modelos de desenho exclusivo e inédito com outras peças de sua autoria, anteriormente destinadas a outros fins, a outros contextos, que aqui foram adaptadas em termos de materiais, de cores e de acabamentos. Nessa opção por um projeto relativamente fragmentado, em detrimento de um sistema total, Daciano procurava encontrar um equilíbrio entre a adequação à arquitetura do CCB — com uma linguagem formal muito marcada e unitária — e o objetivo de caracterizar os seus ambientes interiores de modos distintos, para corresponder à complexidade funcional do edifício e contornar a monotonia que a sua grande extensão poderia causar. O resultado é um conjunto ímpar de peças de um mesmo autor que pode ser entendido como um testemunho da sua história pessoal, mas também como um percurso de três décadas de design de mobiliário em Portugal.” João Paulo Martins
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O livro O CCB por Daciano da Costa está à venda na bilheteira CCB. (PVP 39,90€)
Para mais informações contacte a bilheteira através do n.º 213 612 627 (diariamente das 13h00 às 20h00) ou do email bilheteiraccb@ccb.pt.


