Integrado no Ciclo de Zeus a Varoufakis

ELEKTRA

de Richard Strauss

CCB

Nadja Michael

 

 

Elektra, de Richard Strauss (1864-1949), é, decerto, o momento culminante – em termos de audácia – de um dos compositores que mais contribuíram para a modernidade do século XX.
 Em 1909, quando Elektra se estreia em Dresden, Strauss está a poucos meses de completar 45 anos e, embora já tenha atrás de si obras que sujeitam a linguagem tonal a abusos pontuais, em Elektra atinge níveis de audácia harmónica, orquestral, vocal e dramatúrgica que chocaram, e ainda hoje chocam, a audiência. O próprio Strauss virar-se-á, logo de seguida (1911), para a sedução e classicismo mozartianos da ópera Der Rosenkavalier, afastando-se assim, em definitivo, das tentações modernistas.
 Colaborando pela primeira vez com Hugo von Hofmannsthal (1874-1929), Strauss retoma, depois de Salome, a Antiguidade Clássica como palco para uma das tragédias mais difíceis de enfrentar pelo que esta nos sugere sobre as nossas paixões mais escandalosas: um pai que sacrifica uma das filhas, uma esposa e o amante que assassinam o marido desta, uma outra filha, Elektra, que, por amar demais o pai – “complexo de Elektra”? – o vinga através da morte da mãe (às mãos do irmão também querido), acabando, ela própria, por morrer. A “assinatura” musical deste conflito é o “Acorde de Elektra”, sobre o qual grande parte da estrutura musical reside, e que consiste na sobreposição de dois acordes que chocam violentamente entre si: Mi Maior e Ré Bemol Maior.
 A ação é dominada pela figura de Elektra que, entrando em cena ao fim de apenas seis minutos, nela se mantém até ao fim, lutando com uma orquestra colossal, ambos dominando a ópera numa espécie de grande monólogo dramático que só aumenta a sensação obsessiva que o enredo propicia.
Neste aspeto, e só neste, Elektra pode ser entendida – a posteriori – como epifania dos conflitos políticos e sociais reprimidos que resultarão na violência inaudita – esta sim, bem real – da Primeira Guerra Mundial.


                                                                                            Sérgio Azevedo, 2017


Direção Musical Leo Hussain
Encenação Nicola Raab
Cenografia e figurinos Luís F. Carvalho
Desenho de Luz Nuno Meira

Elektra Nadja Michael
Chrysotemis Allison Oakes
Klytämnestra Lioba Braun
Oreste James Rutherford
Aegisth Marco Alves dos Santos
O Percetor de Oreste Mário Redondo
Confidente Sónia Alcobaça
Velho servo Rui Baeta
Jovem servo João Terleira
Vigilante Patrícia Quinta
Criadas Maria Luísa de Freitas, Cátia Moreso, Paula Dória, Carla Simões, Filipa van Eck

Coro do Teatro Nacional de São Carlos
Maestro Titular Giovanni Andreoli
Orquestra Sinfónica Portuguesa
Maestrina Titular Joana Carneiro

Este espetáculo está integrado no ciclo DE ZEUS A VAROUFAKIS aqui

A Grécia nos Destinos da Europa

Da Grécia Antiga à atualidade, este núcleo programático percorre algumas das ideias e valores que a cultura grega incutiu no solo cultural do ocidente, moldado e consolidado através das várias expressões artísticas que dão corpo e estruturam um modo de ser, ver, sentir e pensar.
Num momento em que a Europa, herdeira deste caldo multímodo e multicultural, parece esquecer-se dos fundamentos que lhe foram desenhando o rosto, é altura de acolhermos pela arte o modo diverso de sermos europeus, revisitando a Grécia do passado e a atual, deixando-nos interpelar pela força da imaginação e das várias expressões artísticas.



Coprodução | CCB | OPART

1 fevereiro 2018 | 20:00
4 fevereiro 2018 | 16:00
7 fevereiro 2018 | 20:00

M/6
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