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Integrado no Ciclo Hieronymus Bosch

Conferência | Pilar Silva Maroto e Joaquim Oliveira Caetano

Joaquim Caetano ©João Cutileiro

Pilar Silva Maroto

Em Torno da Exposição El Bosco. La exposición del V centenario no Museu do Prado: Projeto, Pesquisa E Montagem
Pilar Silva Maroto (Comissária da exposição El Bosco. La exposición del V centenario, Museu do Prado)
Em 2016, por ocasião da comemoração do V Centenário da morte de Bosch (1450-1516), o Museu do Prado realizou uma grande exposição monográfica sobre o artista. Como herdeiro da coleção de Filipe II, em conjunto com o Património Nacional, o Museu do Prado de Madrid abriga o maior número de pinturas originais de Bosch, incluindo algumas obras-primas absolutas como O Jardim das Delícias e A Adoração dos Magos, que foram vistas nessa exposição ao lado de grande parte das obras do artista, algumas importantíssimas, como o tríptico das Tentações de Santo Antão (do Museu Nacional de Arte Antiga, em Lisboa), a que foi ligado o incrível desenho do Homem-Árvore (da Galeria Albertina, em Viena).
Na primeira parte da intervenção, alude-se ao projeto e à pesquisa que ocorreu nos anos anteriores à exposição. Os restauros que foram realizados permitiram adquirir um melhor conhecimento do trabalho de Bosch, dada a importância que nele têm as pinceladas de superfície. A nova documentação técnica revelou o seu processo criativo mais profundamente do que era até então conhecido. Também se avançou nos últimos anos num dos aspetos mais polémicos dos estudos da sua obra, a cronologia, definindo-se duas obras chaves para fixar o seu estilo, uma na década de 1490 – A Adoração dos Magos – e outra no fim da sua vida – O Carro de Feno, ambas do Prado.
A segunda parte da conferência será dedicada à montagem da exposição. Devido ao seu caráter monográfico, centrou-se nas obras do mestre, precedidas da seção intitulada El Bosco y 's-Hertogenbosch, a cidade em que viveu toda a sua vida. Dada a dificuldade em definir uma cronologia exata da vida e obra de Bosch, decidiu-se dividir a exposição em seis secções temáticas, nas quais foram incluídas pinturas e desenhos. Como complemento da exposição, foi incluída uma seleção rigorosa de miniaturas, gravuras a buril, relevos, pinturas e um manuscrito, o que contribuiu para conhecer melhor o ambiente no qual foram criadas as suas obras e a personalidade de Engelbrecht II de Nassau, o encomendador do Jardim das Delícias.


Bosch: Mal e Moral no Tríptico de Lisboa
Joaquim Oliveira Caetano (Conservador no Museu Nacional de Arte Antiga, Lisboa)

O tríptico das Tentações de Santo Antão, de Hieronymus Bosch, das coleções do Museu Nacional de Arte Antiga é uma das obras-primas do pintor e uma das suas pinturas mais complexas. Através de uma série complexa de associações simbólicas, Bosch identifica no tríptico o mal não apenas com o diabólico, mas com toda a espécie de desvios morais e sociais, de paixões extremadas, de costumes licenciosos e  de marginalidade social. Vícios, loucura, violência, jogo, engano, preguiça, marginalidade ou mendicidade fazem parte do mundo renegado pela sua moral, marcada por uma ideologia que confundia propositadamente a religião com a ética, o mal com o desvio social, a irracionalidade com a marginalidade, associando vício e loucura, pecado e festa, alteração e caos na mesma noção do pecado, como elementos de risco no estreito caminho da alma humana para a salvação.

 

Produção | CCB


Esta conferência está integrada no Ciclo Hieronymus Bosch

Tirai os Pecados do Mundo

Tendo por referência a obra de Hieronymus Bosch, a programação tematiza o legado perturbante e enigmático de um dos maiores pintores do século xv, procurando declinar alguns aspetos e leituras suscitadas pela sua obra que tem apaixonado inúmeros pintores, historiadores de arte e artistas em geral.


15 abril 2018 | 15:00
Sala Luís de Freitas Branco
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