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SUMMARY:Dia Mundial da Poesia
DESCRIPTION:Propomos uma celebração da poesia em língua portuguesa com a presença de poetas e leitores de poesia\, atores\, cantores e artistas vários. Instalações\, projeções\, transmissões e\, sobretudo\, leituras ao vivo\, a solo ou coletivas\, muitas formas para que a poesia possa ser escutada.\nO CCB é neste dia uma casa feita de versos de poetas diversos e nela faremos uma celebração\, não só da poesia que está nos poemas\, e dos poetas que os escreveram\, mas sobretudo da poesia que está do lado dos que leem os poemas ou dos textos que podem nem ser poemas\, do lado dos leitores\, e dos que a descobrem por acaso\, se calhar\, quando menos a procuram. \n«A poesia não tem hora e lugar marcado. Não é pública nem mundana\, mas secreta e incerta. A poesia pode não estar no poema anunciado: “Silêncio\, que vamos ler poesia”. \nTal como o humor\, que pode não estar na anedota que se conta para fazer rir\, mas antes\, se calhar\, no falhanço da anedota\, a poesia pode estar no falhanço do recital. A poesia pode estar no que não se lê\, no verso esquecido\, no verso mal lido\, no não ouvido\, no silêncio ou no que se vê: no olhar da rapariga da última fila\, no chapéu do homem que acabou de entrar\, no encontro que não se deu entre aquela mulher e aquele homem\, na esquina onde eles não se encontraram. A poesia pode não estar no recital\, mas sim no que no recital é ruído\, distração ou acaso». \n  \n(Isto Não É Um Recital de Poesia\, Nuno Artur Silva) \n  \nAgradecimentos Alex Cortez (A Palavra)\, André Caldeira (Produções Fictícias)\, Bruno Sambado (Tale House)\, Cristina Gonçalves\, Patrícia Vasconcelos (Act) e Rui Miguel Ribeiro (Edições do Saguão) \n  \nIlustração © António Jorge Gonçalves \n 
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SUMMARY:Carta Branca: A Garota Não
DESCRIPTION:«Anos depois da sua morte\, apercebi-me desta fixação por falar dela. \nE eu achava que fazia isto para não me matarem as saudades e os remorsos. Como se ao levantar memórias suas\, ela acabasse por me ir salvando sempre. \nMas\, ultimamente\, tenho sentido que falo dela por outra razão: uma necessidade primária de a fazer viver através do que nos passou\, do seu colo forte\, dos animais que protegeu. Uma necessidade primária de impedir que ela desapareça já\, que ela nos deixe de vez. \nE\, como nenhum grande biógrafo se interessou por escrever a história desta vulgar mulher tão extraordinária\, achei que uma carta branca seria um bom lugar para corrigir este lapso histórico. Bom\, não uma biografia formal\, com uma linha cronológica formal\, mas um ensaio do que foram os medos\, as forças\, as batalhas de fora e de dentro. \nMas depois\, à medida que a narrativa me foi crescendo\, compreendi que falar dela é\, ao mesmo tempo\, falar das minhas amigas e de mim\, das conhecidas e anónimas mulheres que revolvem os dias a cuidar mais dos outros do que de si\, aceitando provérbios e sinas\, a ter da vida menos do que seria justo\, a trabalhar mais do que seria razoável — porque\, afinal\, somos todas extensões das nossas mães\, das nossas tias\, das nossas avós —\, em continuidade e fratura\, águas que derivam e se separam. Compreendi que trazê-la para aqui é celebrar e agradecer a muitas mulheres. As suas contemporâneas\, as que lhe antecederam e as que ficaram depois de ter partido. \nÉ uma biografia coletiva onde se levantam assuntos incómodos e frágeis\, se questionam dogmas e regras sociais\, onde se ligam e atravessam muitas vidas. Porque as vidas derramam-se umas nas outras\, contaminando-se em camadas\, medonhas e poderosas vagas. \nNão tenhamos medo. Deixemos que nos visite a felicidade.» \n  \nCátia Oliveira\n(A Garota Não)
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