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SUMMARY:Ansioliticamente falando
DESCRIPTION:Para fugir de si mesma\, Raquel achou melhor não fazer mais um espetáculo autobiográfico. Decidiu então encenar a peça A Gaivota\, de Anton Tchékhov. O plano parecia estar a correr bem quando voltou a dar de caras consigo mesma. Por mais que tente\, a Raquel não se consegue ver livre dela. A sua vida está por toda a parte. Até em Tchékhov. \nAnsioliticamente falando é a mais recente criação de Raquel Castro\, na linha de espetáculos anteriores como A Morte de Raquel ou As Castro. \nNo dia 8 de novembro\, haverá uma conversa com o público pós-espetáculo. \n 
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SUMMARY:Casa Esquiça (9/10)
DESCRIPTION:Na Casa Esquiça\, brincar é uma profissão a tempo inteiro e a coisa mais séria da vida. \nCada tábua que a constrói é uma espécie de corpo com 9/10 o(ri)fícios que o ligam aos outros e ao resto do mundo. Através deles\, respira\, olha\, escuta\, cheira\, come\, fala\, grita\, segreda\, toca\, choca\, sente\, deseja\, dá à luz e dá a luz\, como presente a quem se demorar nela. \nÉ uma casa onde o coletivo é o corpo\, onde cada um é muitos\, conforme as ligações de afeto que for capaz de criar entre si e aqueles que o atravessam. Todos nós estamos nela. É a tradução dos gestos do nosso corpo em espaço relacional. O lugar onde podemos acertar-nos com o corpo próprio\, com o dos outros e apropriarmo-nos cosmicamente do mundo. \n  \nQue género de casa é esta? \nÉ uma casa alegre\, de origem animal\, vegetal e mineral\, com órgãos cooperativos cuja identidade escultórica supera a f-utilidade do género programático e performativo. \nVive ficcionalmente como d’obra performática de brincar. Cria laços e espantos. Cada um dos seus lados sopra e traduz formas misturadas de Ser-Humano\, prontas a dialogar com quem se aproximar das suas (pa)redes sociais\, repletas de buracos: as portas e as janelas constelam-na como orifícios de câmaras escuras. \nNela as palavras voam de um lado para o outro\, entram e saem alegremente\, fazem ninho na imaginação de quem a namorar. É um Livro de Areia que pesa a corporosidade do mundo. \nÉ uma casa espanta-corpos\, reflexo da vocação infantil de brincar de casa. \nSomos sonhadores de casas. Desde as cavernas que as colecionamos em nós\, umas dentro das outras. Somos povoações inteiras\, portadores de aleg(o)rias estéticas. \nA partir de um conjunto de «esquiças» feitas à medida de cada um dos orifícios das tábuas-corpo que a constroem\, Os Espacialistas propõem um conjunto de i-medi(a)ções das intensidades reais e imaginárias\, entre o corpo de quem a brinca e os seus lados de tábuas esquissadas com as medidas anatómicas\, de palmos\, pés\, braças\, pernas\, côvados\, polegadas e varas. \nEsquiçar é furar\, espreitar\, desejar e desenhar o mundo. \nA esquiça é o volume cilíndrico que tapa o furo: o vazio negativo da forma da vida por onde se entornam os sentidos\, a imaginação e o tempo em estado puro; o forâmen anatómico por onde passam os cabos dos músculos\, dos vasos e dos nervos do nosso corpo-casa. \nA esquiça é um pau\, um cilindro\, um carote\, uma rolha\, um batoque\, um fio\, um tubo\, uma conduta\, um dedo\, um braço\, uma perna\, uma face\, uma moeda. O positivo i-material do mundo. \nA Casa Esquiça tem os olhos postos no céu\, antecipa a natureza cloroplasta e topológica do mundo. \nÉ um dispositivo poético de aproximação corporal que satisfaz o nosso instinto primordial de olhar poeticamente para o interior das coisas. Nela\, podemos olhar-nos através dela\, só temos de escolher o corpo de dentro ou de fora do que nós vemos\, do que nos olha\, religa e relê continuamente. \n  \n 
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