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Os Músicos do Tejo
Do Barroco ao Fado

CCB

©Marcia-Lessa-Gulbenkian

 

O programa Do Barroco ao Fado tem-se revelado um projeto rico de emoções e ideias musicais que continua a suscitar o interesse dos programadores e do público. A isso não será alheio o desenvolvimento enorme da carreira, em terrenos musicais distintos, de duas vozes portuguesas de grande valor artístico: Ana Quintans e Ricardo Ribeiro. Ao juntá-las em torno de um projeto de investigação da cultura musical portuguesa em termos novos e originais, Os Músicos do Tejo criaram um encontro musical pleno de invocações e que, graças à existência da gravação em CD (com vendas consideráveis para o âmbito atual, de que se destaca o facto de ter estado no 1.º lugar do top de vendas de música clássica da loja Fnac Chiado durante vários meses), tem percorrido uma grande distância em termos de difusão internacional.

De facto, este projeto, que nasceu na Finlândia, pode veicular imagens diferentes da nossa cultura musical, além de questionar, de forma coerente, algumas divisórias conceptuais que não permitem a plena fruição da nossa tradição musical, tanto imaterial como escrita e erudita. Potenciar o talento dos solistas também pelo desafio lançado a que saíssem da sua zona de conforto constituiu uma das bases do sucesso deste projeto. Dando também palco a solistas cheios de talento como sejam Miguel Amaral (guitarra portuguesa), Jarrod Cagwin (percussão) ou Marco Oliveira (voz e viola de fado). Tanto Ricardo Ribeiro como estes músicos, com ligação estreita à música de tradição oral e/ou improvisada, tiveram um papel muito importante na nossa aprendizagem recente como músicos e uma influência poderosa no nosso ensemble. A música erudita não deve esquecer as raízes ancestrais da música e que são não notadas, «imateriais» de certa maneira e essa «camada geológica» deve estar sempre presente mesmo na interpretação da música com a notação mais pormenorizada.
O plano do disco buscou vários tipos de ligações e coerências entre as músicas que não, unicamente, as de ordem cronológica, geográfica e contextual. No que toca aos eixos principais desta viagem, deu-se a ver/ouvir um nomadismo da música modal ibérico-árabe, uma alma portuguesa em mutação no som da guitarra portuguesa e, por fim, uma vocalidade operático-napolitana-fadística com ingredientes brasileiros.
A título de curiosidade, este será, possivelmente, o único disco da Naxos que (num só CD) ultrapassa os 80 minutos. A Naxos abriu uma exceção devido à beleza da modinha cantada em encore por Marco Oliveira. – Os Músicos do Tejo


Programa

1.º Capítulo – Guitarra Portuguesa, símbolo da música portuguesa
Carlos Paredes (1925-2004) Verdes anos - guitarra portuguesa solo
A. de Silva Leite (1759-1833) Minuete (Estudo da guitarra Porto 1796) - guitarra portuguesa, harmónio e viola de fado

2.º Capítulo – Portugal Medieval, raízes árabes e galaicas
Anónimo (século XIII) Cantiga de Santa Maria 23: Como Déus fez vinno d'agua ant'Arquetecrinno - Ana Quintans, Ricardo Ribeiro e orquestra
• Johann Sebastian Bach (1685-1750) Sinfonia da cantata Mer hahn en neue Oberkeet, BWV 212 - orquestra
Rabih Abou-Khalil (1957), José Régio (1901-1969) Soneto de amor - R. Ribeiro e orquestra

3.º Capítulo – Portugal Barroco:
F. A. de Almeida In queste lacrime, Arsindo specchiasti, ária da serenata Il Trionfo d'Amore (1729), Ana Quintans e orquestra
F. A. de Almeida Un cor, ch’ha per costume, ária da ópera La Spinalba (1739), Ana Quintans e orquestra

4.º Capítulo – Fado puro (Ricardo Ribeiro, guitarra portuguesa e viola de fado)
Destino Marcado - Fado Menor
poema: Fernando Farinha
música: Tradicional
Olhos Estranhos - Fado Corrido
poema: Conde Sobral
música: Tradicional
Fado do Alentejo
poema: Rosa Lobato Faria
música: Rão Kyao

5.º Capítulo - Lunduns e modinhas
António Cláudio Pereira (fl. 1780-1820) Sinfonia em Ré – orquestra
José Palomino (1755-1810) Duetto de Marujo e Regateira no Entremez das Regateiras Zelozas no Theatro Nacional do Salitre (1801) – A. Quintans, R. Ribeiro e orquestra
Anónimo Os efeitos da ternura (lundum) – R. Ribeiro, Marco Oliveira, harmónio, viola de fado e percussão

6.º Capítulo - Fado e mais além
Com que voz (Ana Quintans, guitarra portuguesa e viola de fado)
poema: Luiz de Camões
música: Alain Oulman

O Pastor (Ana Quintans e orquestra)
poema: Pedro Ayres Magalhães
música: Madredeus
orquestração: Marcos Magalhães


Ficha artística

Ana Quintans voz
Ricardo Ribeiro voz
Miguel Amaral guitarra portuguesa
Marco Oliveira voz e viola de fado
Marco Magalhães direção musical e harmónio


Os Músicos do Tejo
Marcos Magalhães e Marta Araújo direção

Nuno Mendes (concertino), Álvaro Pinto e Sara Llano violinos I
Maria Bonina, Raquel Cravino e Lígia Vareiro violinos II
Lúcio Studer, Pedro Braga Falcão viola
Ana Raquel Pinheiro e Pedro Massarrão violoncelo
Vicente Magalhães contrabaixo
Marta Araújo cravo
Pedro Castro oboé e flauta de bisel

Os Músicos do Tejo têm apoio da DGArtes, da Câmara Municipal de Lisboa e da Biblioteca Nacional de Portugal.

 


Uso obrigatório de máscara.
Lave e desinfete as mãos com regularidade.
Respeite as marcações de distanciamento.

Apoio
26 julho 2020 | 19:00
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