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Literatura e Pensamento

O Almoço do Conselheiro Acácio

ADIADO

CCB

Arnaldo Ressano

António Valdemar orador

Eça de Queiroz chegou pela primeira vez a Lisboa depois de concluir, em Coimbra, o curso de Direito, e instalou-se no Rossio, em casa dos pais. Frequentou o Chiado. Ainda não havia a Avenida da Liberdade. Existia, ainda, o Passeio Público, que frequentou, um espaço de convívio da população da cidade, desde a Casa Real, até às figuras pobres, de bairros humildes.
O Primo Basílio – o romance que Eça publicou depois de O Crime do Padre Amaro – decorre em Lisboa e integra ambientes e figuras de todas as classes sociais. Muitas delas tornaram-se autênticos símbolos. É o caso do Conselheiro Acácio, um solteirão sem família, aposentado do cargo de diretor-geral do Ministério do Reino, mas sempre presente nas mais diversas circunstâncias. 
Eça descreveu-o, em traços caricaturais, como um homem  «alto, magro, vestido todo de preto, com o pescoço entalado num colarinho direito. O rosto aguçado no queixo ia-se alargando até à calva, vasta e polida, um pouco amolgada no alto. Tingia os cabelos, que de uma orelha à outra lhe faziam colar para trás da nuca; e aquele preto lustroso dava, pelo contraste, maior brilho à calva; mas não tingia o bigode: tinha-o grisalho, farto, caído aos cantos da boca. Era muito pálido; nunca tirava as lunetas escuras. Tinha uma covinha no queixo e as orelhas muito grandes, muito despegadas do crânio».
Recebeu a Ordem de Santiago em atenção  «aos seus grandes merecimentos literários e às obras publicadas, de reconhecida utilidade», no campo da economia política. Era autor das seguintes obras: Elementos Genéricos da Ciência da Riqueza e Sua Distribuição, com o subtítulo Segundo os Melhores Autores; Relação de Todos os Ministros do Estado desde o Grande Marquês de Pombal até Nossos Dias com Datas Cuidadosamente Averiguadas de Seus Nascimentos e Óbitos; e de uma volumosa Descrição Pitoresca das Principais Cidades de Portugal e Seus Mais Famosos Estabelecimentos.
No dia 14 de abril pretende-se recriar o quotidiano íntimo de Acácio, em especial, uma refeição que serviu num terceiro andar da Rua do Ferregial, onde residia com uma criada que, entretanto, o atraiçoava.
 O Conselheiro Acácio que existiu na Monarquia – mas voltou a surgir com outras indumentárias, na 1.ª Republica, no Salazarismo e nas várias fases do 25 de Abril, até à atualidade – era (e continua a ser) um preopinante, com declarações permanentes a favor da «moral e dos bons costumes», que faziam dele um paladino das virtudes tradicionais. Ao falar utilizava frases elaboradas mas vazias. Nas suas frequentes citações costumava dizer o  «nosso Garret», o  «nosso Herculano»  e, ao mesmo tempo, aludia às «nossas virtudes pátrias». Tendo sido nomeado conselheiro por carta régia, «sempre que dizia El-Rei erguia-se um pouco na cadeira». Com a mudança do regime passou a fazer o mesmo com os Presidentes da República.


Produção | CCB


14 abril 2018 | 13:00 | ADIADO

Sala Jorge de Sena
M/6
Duração aprox.2h
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