CCB

No âmbito da atribuição da Marca do Património Europeu à Carta de Lei da Abolição da Pena de Morte assinalamos os 150 anos da Abolição da Pena de Morte em Portugal (1867-2017).
Portugal foi um dos primeiros países a inscrever no seu sistema legal uma lei de abolição da pena de morte para crimes civis, colocando-se na linha da frente dos países pioneiros do desiderato inspirador do filósofo milanês Cesar Beccaria.
A dimensão do ato teve forte impacto no contexto europeu da época.
O exemplo de Portugal serviu de argumento aos defensores das correntes abolicionistas de então como o caso de um país que, nascido e herdeiro da mesma tradição histórica e cultural de outras regiões da Europa, teve a coragem de abraçar e aplicar uma reforma de grande alcance civilizacional.
Ontem, como hoje, a Carta de Lei de 1867 tem um forte valor simbólico para a Europa, na medida em que encerra em si muitos dos valores e ideais atualmente plasmados na Carta dos Direitos Fundamentais da União Europeia, designadamente, os que se fundamentam nos valores da tolerância e do respeito pela vida humana.
Pelo seu significado e contributo para a história, cultura e ideais da União Europeia, a Carta de Lei foi reconhecida pela Comissão Europeia como Marca do Património Europeu em Abril de 2015.
É pois, com muito orgulho, que participamos desta efeméride de tamanha importância para a nossa consciência cívica e vivência histórica enquanto cidadãos portugueses, europeus e do mundo, em associação a entidades dos mais diversos setores da nossa sociedade.
Aproveitamos, assim, a oportunidade para endereçar convite a todas as entidades que desejem associar-se a esta iniciativa e  antecipadamente agradecer todo o empenho e entusiasmo dedicados ao evento.


                                                                            Silvestre Lacerda
                                                                           Diretor-Geral ANTT


Programa
17:00 - Lançamento de uma edição de selo CTT comemorativo dos 150 anos da abolição da pena de morte | Foyer da Sala Luís de Freitas Branco

18:00 – Concerto Orquestra Metropolitana de Lisboa Souvenirs de Florence de Tchaikosvsky | Sala Luís Freitas Branco

Na senda dos sextetos de cordas de Brahms (1860 e 1866) e de Dvořák (1879), Tchaikovsky dedicou a sua derradeira composição de câmara à inusual instrumentação que junta dois violinos, duas violas e dois violoncelos. Datada de 1890, a obra deve o título Souvenir de Florence (Recordação de Florença) à melodia que se destaca no 2.º andamento. Por ocasião das Comemorações dos 150 Anos da Abolição da Pena de Morte em Portugal, essa mesma melodia é pretexto para lembrarmos que naquela cidade italiana, em 1786, e por influência dos ideais defendidos por Cesare Beccaria, foi pela primeira vez abolida a pena de morte.
Souvenir de Florence foi a última obra de câmara assinada por Piotr Ilitch Tchaikovsky, em cujo catálogo predomina sobretudo a escrita orquestral. A partitura resulta de um projeto que se viu adiado durante cerca de quatro anos, e que ainda teve de esperar mais dois para atingir a versão definitiva. O pretexto que motivou o músico russo a aventurar-se numa disposição instrumental que desconhecia em absoluto foi a sua nomeação como Membro Honorário da Sociedade de Música de Câmara de São Petersburgo, em outubro de 1886. Nessa ocasião assumiu o compromisso de dedicar uma obra a essa instituição, mas só no verão seguinte esboçou as primeiras notas… as quais logo abandonou. No início de 1890 encontrou ânimo (e ideias) para prosseguir. Tal aconteceu num sítio improvável, em Florença, onde se havia recolhido para compor a ópera A Dama de Espadas. A vontade reacendeu com uma melodia que encontrou lugar em plano de destaque no segundo andamento do sexteto. Por sinal, e apesar da evocação explícita do título «Recordação de Florença», esta é a única relação entre a composição da obra e aquela cidade.
Não se trata, portanto, do retrato pitoresco de um turista acidental em torno do Palazzo Vecchio. De regresso à Rússia, e já instalado na sua casa de campo de Frolovskoe, próxima de Moscovo, Tchaikovsky retomou o trabalho para enfrentar essa peculiar combinação de instrumentos. Em dezembro do mesmo ano a obra foi interpretada pela primeira vez em São Petersburgo numa audição privada que permitiu ao compositor decidir sobre as alterações que pretendia introduzir nos terceiro e quarto andamentos. A versão definitiva foi estreada dois anos mais tarde com grande sucesso junto do público. Para tal contribuiu a construção sólida do primeiro andamento, o depurado lirismo do segundo e o vigor rítmico de inspiração popular (nada italiana) dos restantes. A complexidade contrapontística da secção final honrava o título que lhe havia sido concedido anos antes pelos seus pares de São Petersburgo.

18:30- Mensagem do Senador e professor Universitário, Robert Badinter.
Palestra com Francisca Van Dunem
Programa apresentado pela jornalista Ana Lourenço
Sala Luís Freitas Branco

 

1 julho 2017 | 17:00

Sala Luís de Freitas Branco
Entrada gratuita, no limite dos lugares disponíveis e com levantamento dos bilhetes na bilheteira CCB a partir das 14:00
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