O que é a filosofia?

António de Castro Caeiro

CCB

António de Castro Caeiro

Não há ninguém que não tenha uma «filosofia» e acha-a tão pessoal que a designa «a minha filosofia». Há também quem despreze a filosofia e ache que a filosofia é para «líricos», para pessoas que vivem noutro mundo. Quem pensa assim são pessoas de ação que acham que a filosofia nada tem que ver com a vida. Há também a definição romântica de que todos já ouvimos falar: a filosofia é a amizade pelo saber. 

Neste conjunto de opiniões, a positiva, segundo a qual toda a gente tem uma filosofia, a negativa, segundo a qual a filosofia é uma perda de tempo e, finalmente, a romântica, segundo a qual a a filosofia é a procura amiga pelo saber; há já teses filosóficas, interpretações, atitudes, mentalidades, modos de ser.
O que pretendemos fazer é a pergunta «O que é a filosofia?» a alguns protagonistas da história da filosofia. O que com eles faremos é a própria pergunta. Uma boa pergunta, antecipamos já, põe-nos na direção de uma boa resposta. A resposta está em tensão com a pergunta. Uma não existe sem a outra, como veremos. Não pretendemos fazer história, muito menos pôr à prova qualquer tese evolucionista segundo a qual a última versão do que quer que seja é a melhor, a mais adaptada, a que sobreviveu.
A filosofia é uma atividade. Não se tem uma filosofia. Faz-se filosofia, como quando se põe em prática uma possibilidade adquirida. A filosofia é uma possibilidade. E aqui começa já um problema antigo. Não é a possibilidade menos do que a realidade? Não é o possível só uma miragem, uma ilusão? Ou será exatamente o contrário, do ponto de vista humano? Não é o sonho como dizia Valéry que nos distingue dos animais?
A filosofia é uma atividade que procura descobrir a verdade sobre «as coisas», sobre «si próprio», sobre «os outros», sobre «tudo». Os antigos chamavam ao tudo a «vida», «ser». A filosofia de algum modo é a atividade que se preocupa com a descoberta da verdade sobre o ser, o ser que é todas as coisas, o mundo, os outros, eu próprio. Mas é a própria vida a ser que também se revela a nós e nos deixa de quando em vez saber como é que ela é. - António de Castro Caeiro

7 de outubro 2020 | Platão: A palavra filosofia. O amor (erôs) como motivo filosófico. A falta.
14 de outubro 2020 |  Aristóteles: Aquilo de que todos os seres humanos sentem falta.
21 de outubro 2020 | Agostinho: Se não me perguntam, eu sei. Se me perguntam, não sei. O tempo e ser no tempo.
28 de outubro 2020 | Kant: querer viver para sempre, ter saudades de Deus, a ânsia da liberdade.
4 de novembro 2020 | Wittgenstein: A possibilidade da transparência. Jogo de linguagem. Fazer o sentido.
11 de novembro 2020 | Heidegger: perguntar pelo sentido do ser, perguntar pela verdade como descoberta do ser.


7, 14, 21 e 28 outubro 2020 | 4 e 11 novembro 2020 | 18:30
Sala Ribeiro da Fonte
M/6
Duração aprox. 1h30
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