Ciclo No Fundo Portugal é Mar

CCB

Ciclo No fundo Portugal é mar ©Áthila Bertoncini

Fábrica das Artes | Para todas as infâncias

Nada escapa ao mar em Portugal. Da geologia ao clima, do passado ao futuro, dos sonhos aos medos, o mar é afinal o quê?

Ele é o fundo, os peixes, a vida, as ondas, os vulcões, a solidão e o espaço imenso. Ele é também o covil de abjeções inconfessáveis e de maravilhas ondulantes; de mistérios e abusos, descobertas e ganâncias, e de todos os possíveis para além dos impossíveis. Ele é o mais frágil, imenso e desconhecido dos comuns da humanidade. Nada em Portugal escapa ao mar. Distantes mas fascinados pelo mar, desejosos e ressentidos dele ao mesmo tempo, agora vamos passar a tê-lo em nós de outro modo, mais vasto e mais exigente.

Esta programação fala-nos disso. Dessa mudança e das exigências que ela faz a uma cidadania culta e ativa para o mar. Ela é um apelo aos arredios terrestres deste país, que terão de cuidar dele, de se continuar com ele, de se descobrir nele.

Esta programação é um convite ao mar, lançado aos públicos de todas as infâncias que queiram mergulhar nestas propostas artísticas, mas também científicas e ambientais. Um convite por onde se gere entusiasmo e curiosidade, cultura marítima de agora e do futuro, e um novo empenho ativo e emotivo sobre o mar maior que irá ser.  

Esta programação gira em torno da exposição No Fundo Portugal é Mar. Com base em imagens cedidas pela Estrutura de Missão para a Extensão da Plataforma Continental (EMEPC), captadas por um ROV, um robô telecomandado que desce a seis mil metros de profundidade, deslocamo-nos entre a revelação dos fundos marinhos, as paisagens sonoras onde terra e mar, através dos faróis, experimentam a sua comunicação e o imenso paradoxo do lixo plástico que o mar nos devolve. Os sentidos desta exposição desdobram-se em oficinas exploratórias, nas quais queremos passar do assistir ao fazer, ou seja, conhecer melhor e crescer com isso. São seis oficinas, que passam pela escrita criativa, pelo confronto com monstros imaginários e reais, pelas formas líquidas das esculturas marinhas, pela simetria abissal entre o mar e o cosmos até ao confronto fascinante e fatal com a imensidão dos plásticos que lançamos nos oceanos e que tomam agora conta dele e do nosso próprio corpo, condenando-nos a todos ao destino do esqueleto da baleia Balaena plasticus, integrada no projeto Plasticus maritimus. No Jardim das Oliveiras decorrerão três concertos, sessões com contadores de histórias e longas conversas marinhas entre tão improváveis interlocutores quanto variada é a fauna humana que entre nós vive o mar.

Por fim, dois espetáculos desafiam-nos em sentidos diametralmente opostos nas nossas mais fundas convicções e nos nossos mais fundos sentimentos sobre o mar: Marinho experimenta tudo aquilo que em nós vive e evita, procura e foge na relação com o mar, explorando as ambiguidades através dos caminhos onde elas se vivem, nos nossos sentidos, na voz e na escuta, na luz e na sombra. O segundo espetáculo, um dos mais transversais clássicos sobre o mar, A Menina do Mar, de Sophia de Mello Breyner Andresen, a partir da música de Bernardo Sassetti, lembra-nos que a beleza e o amor, a terra e o mar vivem na cidade dos homens, na sua história, nas forças políticas que se afrontam, e que o futuro é uma escolha que está para ser feita, tal como um rumo, um horizonte, uma nave largada no mar.

 

Descarregue aqui o programa do ciclo, incluindo informação mais detalhada sobre a exposição No Fundo Portugal é Mar.

 

Calendário


Marinho - Um artista, sete programadores | Margarida Mestre - Espetáculo - 8 a 11 março

Remoinho | Margarida Mestre - Oficina de experimentação sensorial - 8 março

Imersão | Margarida Mestre - Oficina de experimentação sensorial e escrita - 9 março

Agitação | Margarida Mestre - Formação - 10 março

Sedimentação | Margarida Mestre, Ana Pêgo, Pedro Prista - Mini conferência - 11 março

 

No fundo Portugal é mar | Graça Castanheira, Rui Rebelo e Ana Pêgo - Exposição - 8 maio a 31 julho

No fundo, as palavras vêm do mar | Judite Canha Fernandes - Oficina de escrita criativa - 9 a 13, 16 a 18, 20 maio

No fundo, as palavras vêm do mar - Formação | Judite Canha Fernandes - Formação/Entre a Arte e a Educação - 19 maio

Plasticus maritimus - Realidade aumentada | Ana Pêgo - Oficina de biologia, educação ambiental e artes plásticas - 9 a 11, 15 a 18 maio

Plasticus maritimus - Realidade aumentada e animada | Ana Pêgo - Oficina de biologia, educação ambiental e artes plásticas - 12, 13 e 19 maio

Conversas com mar | Vários convidados - Mini palestras - 17 e 24 maio, 7, 14, 21 e 28 junho, 5, 12, 19, 26 julho

A menina do mar, de Sophia de Mello Breyner Andresen | Carla Galvão e Filipe Raposo, A partir da música de Bernardo Sassetti - Espetáculo - 19, 20, 22 a 27 maio

Quimera – Monstros de Júlio Verne e outros mais contemporâneos | Adriana Pardal - Oficina de artes plásticas - 22 a 27 maio

Criadores Aquáticos | Paula Palhota - Oficina de esculturas marítimas - 29, 30 de Maio, 1, 2, 5 a 9 junho

Vostok & Calypso | Pietro Romani - Oficina de dança - 29, 30 de Maio, 1 a 3, 5 a 8 junho

Filho de peixe sabe... pintar | Margarida Botelho - Oficina de artes - 12, 14 a 24 junho

Canções da Terra e do Mar | Rita Maria e Filipe Raposo - Concerto no Jardim - 30 junho

Férias no Nautilus | Antonella Gilardi - Artes nas Férias do Verão - 2 a 6, 9 a 13 julho 

Estórias ao fundo do mar | Ana Sofia Paiva e Sofia Maul - Contos no Jardim - 7 e 8 julho

Concerto com Faróis | Rui Rebelo e Carla Galvão - Concerto no Jardim - 14 e 15 julho

Bemóis e outros bicharocos | Teresa Gentil - Concerto narrado no jardim - 21 e 22 julho


O ciclo No fundo Portugal é Mar resulta de uma parceria entre a Estrutura de Missão para a Extensão da Plataforma Continental (EMEPC) e o Centro Cultural de Belém (CCB/Fábrica das Artes).

https://www.emepc.pt/

 

 


Apoios:

  

8 a 11 março, 8 maio a 31 julho, 2018
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