B18 - Luísa Tender

Canções sem palavras

Luísa Tender ©Rita Carmo

Luísa Tender ©Rita Carmo

Felix Mendelssohn (1809‒1847) compôs, ao longo de quase duas décadas, oito volumes de pequenas obras para piano. As Canções sem palavras depressa se tornaram uma das coletâneas mais populares do repertório pianístico. Várias destas peças são de um aparentemente nível de dificuldade que as tornava acessíveis a pianistas amadores. Pelo mesmo motivo, foram ao longo do tempo injustiçadas por muitos músicos e ouvintes, que as consideravam um repertório menos “imponente” do que outros, mais virtuosísticos, da mesma época e até do próprio Mendelssohn.
A verdadeira dificuldade das Canções sem palavras está, sem dúvida, no cantabile das melodias. O compositor, pelo título que escolhe, indica ao pianista que deve cantar. Sem um texto, o pianista recebe então uma incumbência difícil. Pode imaginar palavras e frases, mas o público nunca conhecerá este texto escondido. Terá, por sua vez, de o reconstruir ou reimaginar a partir do contorno melódico e do modo como o pianista o entoa.
Talvez Mendelssohn quisesse que estas canções contassem histórias. Serão então histórias sem texto: histórias codificadas, que cada um é livre de interpretar à sua maneira. As Canções sem palavras são um exercício para a imaginação de artistas e ouvintes. Abrem, também, uma janela para a discussão musicológica sobre a intenção original do compositor, e a sua transmissão a intérpretes e ouvintes.


Canções sem palavras

Felix Mendelssohn Canções sem palavras
Op. 19 n.os 1, 3, 4, 5
Op. 30 n.os 1
Op. 38 n.os 1, 3, 6
Op. 53 n.os 1, 3
Op. 62 n.os 1, 2, 6
Op. 67 n.os 1, 2, 4
Op. 85 n.os 4
Op. 102 n.os 1, 4


Luísa Tender piano


Produção | CCB

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29 abril 2017 | 16:00

Sala Sophia de Mello Breyner Andresen
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