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B4 - Orquestra Sinfónica Portuguesa

Dos Livros para a Música | Personagens Intemporais

CCB

OSP©David Rodrigues

Cristiana Oliveira

André Baleiro

Neste concerto, a Orquestra Sinfónica Portuguesa irá fazer reviver, através da música, personagens incontornáveis da literatura, a começar pelo Fausto de Goethe, levado para a música por tantos e tantos compositores, e que também Wagner quis transformar numa sinfonia. Dessa ideia original ficaria apenas uma abertura bastante representativa daquilo que é o romantismo alemão – entre os primeiros esboços (1839) e a revisão final da partitura (1855), o mundo viu surgir à volta deste título obras tão importantes como a Danação de Fausto, de Berlioz (1846), e As Cenas de Fausto, de Robert Schumann (1853). Dois anos após a revisão final da abertura de Wagner, seria Liszt a transformar o Fausto numa sinfonia (Sinfonia Fausto, de 1857), dois anos antes da célebre ópera de Charles Gounod (Fausto, de 1859).
A segunda personagem que aparece neste concerto é o D. Quixote de Miguel de Cervantes, personagem tocante, carregada de idealismo e de humanismo, e que também marcou inúmeros artistas, como é o caso de Maurice Ravel com as suas canções de D. Quixote a Dulcineia, de 1933. Entre as várias obras dedicadas ao D. Quixote poderíamos destacar Don Quichotte chez la Duchesse, de Boismortier (1743), Don Quichotte auf der Hochzeit des Camacho, de Telemann (1767) e de Mendelssohn (1827), o ballet Don Quixote, de Leon Minkus (1869), ou o poema sinfónico D. Quixote, de Richard Strauss (1898).
A terceira história que ganha vida através da música neste concerto é o Romeu e Julieta de William Shakespeare. Quando Charles Gounod era ainda estudante no Conservatório de Paris, ouviu um ensaio da Sinfonia Dramática de Berlioz, Romeu e Julieta (1839). Gounod ficou tão impressionado com a beleza da música e cativado pelo tema que, quase 30 anos mais tarde, começou a compor a sua própria versão da peça de Shakespeare. Durante o processo de composição desta ópera, Gounod isolou-se numa pequena vivenda perto do mar, na Provença, e à medida que a sua obra progredia, ficou completamente preso às personagens de Romeu e Julieta. Desta ópera destacamos duas árias absolutamente contrastantes que revelam bem a progressão emocional da personagem de Julieta. A primeira ária, radiante e cheia de coloratura, revela a alegria da jovem Julieta no dia do seu aniversário. É nessa festa que Julieta se vai cruzar com Romeu e que lhe rouba completamente o coração. A segunda ária apresentada neste concerto está nas antípodas da primeira. Esta ária passa-se depois de Frei Lourenço sugerir a Julieta que tome uma poção para simular a sua morte, causando a distração necessária para mais tarde poder fugir com Romeu. Julieta revela aqui todos os seus receios e angustias. E sabemos bem o que acontece. A carta que Frei Lourenço escreveu a Romeu a explicar o plano para a fuga, não chegou às mãos do jovem e, Romeu, julgando que Julieta está realmente morta, vai até à cripta dos Capuletos. Ele fica desesperado por ver Julieta aparentemente morta e ingere um frasco de veneno. Porém ainda está consciente quando Julieta desperta. Os dois fazem planos para o futuro. Quando as suas forças o abandonam, Romeu fala do veneno a Julieta. Esta tenta beber do mesmo frasco, mas estando ele vazio, pega num punhal e mata-se. Os dois apaixonados morrem assim nos braços um do outro, ao mesmo tempo que rezam pela sua absolvição.
Por fim, neste concerto, surge o Don Juan, de Richard Strauss (1888). Sem dúvida que num concerto em que se fala das grandes personagens da literatura apropriadas pela música, não poderia faltar. A lista de obras que levam para a música este herói dissoluto é absolutamente impressionante, a começar pela mais célebre das versões de Mozart e Da Ponte (Don Giovanni, 1787) até à versão de Azio Corghi e José Saramago (O Dissoluto Absolvido, 2005) em que se absolve o herói. Aqui teremos o brilhante poema sinfónico que Richard Strauss escreveu após a leitura de poemas de Nikolaus Lenau, os quais descreviam sentimentos de “desejo”, “posse” e “desespero”.


Dos Livros para a Música | Personagens Intemporais

Richard Wagner Abertura Fausto
Maurice Ravel D. Quixote à Dulcinée
Charles Gounod Romeo et Juliette, Valsa de Julieta e Ária do Veneno
Richard Strauss Don Juan


Orquestra Sinfónica Portuguesa
Joana Carneiro
maestrina titular
Graeme Jenkins direção musical
André Baleiro barítono
Cristiana Oliveira soprano



Coprodução | CCB | TNSC


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29 abril 2017 | 18:00

M/6
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