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B6 - Fusão Oriental

Ensemble Darcos

CCB

YOGISTRAGONG

Elizabeth Davis

Ensemble Darcos

Nuno Corte Real


Claude Debussy Quarteto de cordas em Sol menor, op. 10
I. Animé et très  décidé / II. Assez vif et bien rythmé / III. Andantino, doucement expressif / IV. Très modéré – Très mouvementé et avec passion
Elizabeth Davis O Deus do Vulcão
Música tradicional da Ilha de Java  Swara Suling         
Música tradicional da Ilha de Bali  Hujan Jepun (arranjo de Gilbert Stoeck)
Nuno Côrte-Real Cycles (para gamelão e quarteto de cordas)


Ensemble Darcos
Emanuel Salvador violino
Ana Madalena Ribeiro violino
Reyes Gallardo viola
Filipe Quaresma violoncelo

Yogistragong
Elizabeth Davis direção musical
Carlos Reis
Maria Miguel Lucas
Cláudio Oliveira
Sara Santos
João Luís
Domingos Marreiros
Tânia Mendes
Simão Leal
Diana Gaspar
Jorge Mendonça Oliveira
Sandra Pérez

Orientalismo musical
O Oriente tem fascinado desde sempre o homem ocidental. Lugar de mil maravilhas, de sumptuosas riquezas e irresistíveis seduções, o Oriente representou para o imaginário europeu uma terra prometida, um espaço de evasão, uma região estagnada numa idade dourada, onde os sonhos e os anseios permanecem intactos, onde todas as esperanças se podem cumprir.
No domínio da música as referências ao Oriente são muito antigas mas, na verdade, até ao final do século XIX a Europa desconhecia quase totalmente as músicas orientais. Aquilo que se tomava por estilo oriental reduzia-se a uma série de clichés sonoros e estereótipos. O orientalismo desenvolveu-se significativamente a partir do século XIX, a época dos grandes impérios coloniais. Enquanto fenómeno musical encontra-se estritamente ligado ao exotismo e ao folclorismo. Nesta medida, o orientalismo musical aparece sobretudo ligado à ópera ou ao poema sinfónico. Ignorantes da verdadeira música oriental, os compositores recorrem a escalas exóticas, intervalos invulgares, modos pentatónicos, ritmos assimétricos, isto é, material étnico estranho à norma ocidental, mas que é domesticado e integrado na sintaxe tonal e assimilado nas estruturas formais tradicionais. Esse estado de coisas só mudou no século XX, quando as viagens mais frequentes e os meios de comunicação mais eficazes permitiram um verdadeiro conhecimento e compreensão da riqueza e diversidade das músicas orientais.
A mudança de perspectiva começa na Exposição Internacional de Paris em 1889, quando pela primeira vez é apresentado ao mundo ocidental a música do gamelão javanês. Para os músicos da época trata-se de uma verdadeira revelação que terá consequências duradouras na evolução da música ocidental, e no modo de se pensar a música oriental.
O que surpreendeu e suscitou tanto interesse em 1889 não foi simplesmente a invulgaridade e a riqueza do instrumental, mas também o facto de que uma tal variedade de timbres dava origem a uma complexa trama polifónica, realizada através da sobreposição heterofónica, com diferentes densidades, revelando um sistema harmónico muito sofisticado. Uma descoberta desconcertante, se pensarmos que a harmonia era, à época, considerada um apanágio exclusivo da música erudita europeia. O profundo e duradouro impacto que a descoberta do gamelão javanês provocou em Claude Debussy (1862-1918) é bem conhecido.
Personalidade irreverente e anticonformista, Debussy procurava romper com a hegemonia musical germânica e com as formas estabelecidas. Para ele, a descoberta das músicas do Extremo-Oriente constitui um momento decisivo na tomada de consciência da possibilidade quebrar o espartilho da tradição. Esta será a primeira etapa de uma aliança íntima entre as tradições oriental e ocidental, o início de uma estética de “fusão” que, sob diversas formas, se disseminará por todo o século XX, de Messiaen a John Cage, dos Beatles à world music

EXCERTO DE TEXTO DE AFONSO MIRANDA
[O AUTOR ESCREVE SEGUNDO A ANTIGA ORTOGRAFIA]

                            


Embaixada de Républica de Indonésia
    

23 abril 2016 | 14:00

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