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B5 - Na Ibéria ( veja o vídeo)

Orquestra Metropolitana de Lisboa

CCB

Peter Tilling

Orquestra Metropolitana de Lisboa

Sérgio Azevedo Concerto para piano
Manuel de Falla El Amor Brujo

Orquestra Metropolitana de Lisboa
Peter Tilling direção musical
António Rosado piano

 

O Concerto para Piano foi escrito por encomenda do CCB, para o festival Dias da Música 2010. Sendo o tema desse ano o Tratado das Paixões da Alma de René Descartes, uma curiosa obra que analisa as emoções humanas de um ponto de vista mecanicista, pensei que um concerto para solista e orquestra – o género orquestral mais dramático por natureza - me permitiria desde logo estabelecer uma conexão com o tema. A escolha do piano como solista deveu-se a vários factores: por um lado, é a formação mais popular entre todas as possíveis; por outro lado, nunca tinha escrito um concerto para piano, e já há algum tempo que desejava compor algo destinado ao António Rosado, grande pianista e amigo, que estreou em Madrid e Lisboa o meu Concerto para Dois Pianos (em 2003 e 2008). O concerto divide-se nos três andamentos habituais rápido-lento-rápido, que permitem explorar várias cambiantes emocionais (e mesmo grandes diferenças de orquestração, como por exemplo a função relevante das percussões, do clarinete baixo e do contrafagote no andamento lento), mesmo se dentro de cada andamento tais cambiantes entre luz e sombra, seriedade e humor, tragédia e comédia, também se encontrem presentes, por vezes em rápida e fugaz alternância. Descartes julgava que as paixões provinham da glândula pineal e que as essências destas paixões eram transportadas por pequenos seres, versão mecânica seiscentista das transmissões eléctricas entre neurónios, e essa ideia é, de certo modo, ilustrada pelo género do concerto, no qual tudo provém da parte solista, que espalha os seus motivos e “paixões” pela orquestra que, ora colabora, ora mede forças com o piano.


Sérgio Azevedo







23 abril 2016 | 22:00

M/6
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