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D10 - Veneza e Os Limites da Moralidade

Os Músicos do Tejo

Marcos Magalhães

Marcos Magalhães

Marta Araújo Giuditta

Clintvander Linde

Carlos Monteiro

Luísa Cruz

Os Músicos do Tejo [Dir. Marcos Magalhães e Marta Araújo]
Clint van der Linde alto
Arthur Filemon alto
Carlos Monteiro tenor
Frederico Projecto tenor
Tiago Mota baixo
Daniel Zapico tiorba
Marta Araújo cravo
Luísa Cruz narradora
Pedro Braga Falcão tradução dos textos
Marcos Magalhães cravo e direção musical

Alessandro Stradella (1639-1682) Sopr'una eccelsa Torre – Il Nerone | de um manuscrito da Biblioteca da Ajuda, Lisboa
Claudio Monteverdi (1567-1643) Chi vuol che m'innamori; Ogni amante e guerrier
Anónimo Siciliana a tre | de um manuscrito da Biblioteca da Ajuda, Lisboa
Claudio Monteverdi Ardo e scoprir, ahi lasso, io non ardisco
Cipriano de Rore (c.1515/6-1565) O morte, eterno fin
Claudio Monteverdi Gira il nemico, insidioso Amore
Didier Lupi Second (c.1520-c.1559) Susanne un jour
Claudio Monteverdi Pur ti miro
Cipriano de Rore Da le belle contrade d’oriente

O Renascimento é, para a História da Música, um período de intensa revolução. Se hoje é fácil olharmos para este período como um bloco unívoco e algo cristalizado, uma espécie de corolário nefelibata da virtude humanista, a verdade é que toda esta silente e demorada «revolução» foi feita numa tensa batalha entre vários pólos de conflito: moralidade e livre-arbítrio, religião e sensualidade, passado e modernidade, tradição e subversão de modelos. Criar arte que recriava os seres humanos e suas tribulações, esquecidos de Deus e inebriados pelo Amor e outras divindades menores pagãs, representou para muitos um exercício arriscado e ousado.
De todas as cidades italianas que tiveram a sua parte nesta «revolução», a República de Veneza ocupa um lugar próprio. A sua independência pelos mares, a sua liberdade e libertinagem, o seu fervor carnavalesco tão longe dos dogmas de Roma são factores que deram ensejo a novos modelos de exploração artística e literária, materializados em sociedades tão famosas (quanto infames) como a misteriosa Academia degli Incogniti.
Neste programa, propomos uma leitura particular do contexto social imbuído nos poemas e nas músicas interpretadas, no seu ambíguo léxico de referências: mais do que uma relação texto-música, procuramos uma relação contexto-música, matizando a performance musical de compositores como Monteverdi, Orlando di Lasso, Stradella, Cipriano de Rore, com a leitura dramatizada de textos originais da época: da lucidez de uma freira que denuncia a tirania do pai e a desprezível inferioridade dos homens (Semplicita ingannata, Arcangela Tarabotti), passando pela lassidão de costumes de La Retorica delle Puttane (Ferrante Pallavicino) até ao pornográfico e escandaloso L’Alcibiade fanciullo a scola (Antonio Rocco). -  MARCOS MAGALHÃES/PEDRO BRAGA FALCÃO

                                                                        

Os autores escrevem segundo a antiga ortografia

Produção | CCB

 


Os Músicos do Tejo têm apoio da Câmara Municipal de Lisboa e da Biblioteca Nacional de Portugal 

28 abril 2018 | 21:00

Sala Luís de Freitas Branco
M/6
Duração aprox. 45 min
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