C7 - Time Stands Still

John Dowland revisitado

Nuno Côrte Real ©Manuel Guerra Pereira

Nuno Côrte Real ©Manuel Guerra Pereira

Ana Quintans ©Cristovão

Ana Quintans soprano

Ensemble Darcos

Sara Hesselink e Paula Carneiro violinos
Reyes Gallardo viola
Filipe Quaresma violoncelo
Pedro Wallenstein contrabaixo
Marina Camponês flautas
Cândida Oliveira clarinetes
Beatriz Cortesão harpa
Helder Marques piano
Francisco Cipriano vibrafone / percussão I
Cristiano Rios marimba / percussão II


Nuno Côrte-Real conceção, arranjos e direção musical

Uma viagem pela intimidade poética de John Dowland (1563-1626).

As Lute Songs (canções de alaúde) de John Dowland são das mais belas obras musicais jamais compostas. Não possuem, é certo, a grandiosidade sinfónica, nem o dramatismo operático, nem são religiosas ou diabólicas, nem tão pouco exibem complexidade na escrita e na forma. É na sublime intimidade espiritual que reside a sua maior virtude. São canções que manifestam o paradoxo e a melancolia, tão típicas do período isabelino, e que oferecem um lirismo delicado, nunca deixando o ouvinte entediado. O paradoxo vem da mestria com que Dowland canta, por exemplo, o pranto de um desgosto de amor, revelando ao mesmo tempo a beleza que reside na tristeza desse desgosto (I saw my lady weep); a melancolia, que naquela época estava em moda, percorre, com mais ou menos intensidade, todas as suas maravilhosas canções.
Este projeto é uma revisitação contemporânea das Lute Songs de Dowland, para voz e ensemble. Apesar de já estarmos longe desse período da História, há, porém, uma certa melancolia nas entrelinhas do nosso tempo que tornam estas canções vivíssimas. Assim como o paradoxo (ou a contradição) que vivemos hoje em dia – está em todo o lado, em todos os cantos, na essência da vida que levamos, feroz, violento – faz com que os sentimentos contidos naquelas pequenas e íntimas canções se elevem e se tornem ensurdecedores aos nossos ouvidos. TIME STANDS STILL, título de uma das canções do mestre inglês, aqui revisitada, é o perfeito epíteto para uma filosofia do tempo e da vida que urge debater, construir, abraçar, com todas as nossas forças e todo o nosso espírito. - NUNO CÔRTE-REAL


Produção | CCB


27 abril 2019 | 19:00
M/6
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