E7 - Lágrimas de São Pedro

Vocal Ensemble

CCB

E7_sn_VascoNegreiros

Daniela Matos

Rute Flores

Jorge García

Nacho Rodríguez

Javier Cuevas

Vocal Ensemble
Vasco Negreiros direção musical
Daniela Matos, Rute Flores, Jorge García, Rui Aleixo, Nacho Rodríguez, Javier Cuevas

Orlando di Lasso (1532-1594) Lágrimas de São Pedro
I - Il magnanimo Pietro / II - Ma gli archi / III - Tre volte aveva / IV - Qual a l'incontro / V - Giovane donna / VI - Così talhor / VII - Ogni occhio del Signor / VIII - Nessun fedel trovai / IX - Chi ad una ad una / X - Come falda di neve / XI - E non fu il pianto suo / XII - Quel volto / XIII - Veduto il miser / XIV - E vago d'incontrar / XV - Vattene vita va / XVI - O vita troppo rea / XVII - A quanti già felici / XVIII - Non trovava mia fé / XIX - Queste opre e più / XX - Negando il mio signor / XXI - Vide homo

Com um motete da Paixão em língua latina, Vidi homo, fecha Orlando di Lasso a colecção de madrigais espirituais intitulada Lagrime di S. Pietro, sobre poemas de Luigi Tansillo. O compositor morreu três semanas antes de que tenha sido ouvida por primeira vez.
Guardadas as devidas proporções, Luigi Tansillo terá sentido na pele angústia semelhante à do personagem bíblico em causa, à altura em que publicou as Lagrime di S. Pietro (1560), pois encontrava-se sob acusação dos inquisidores e do próprio Papa devido às suas Stanze di coltura sopra gli orti delle donne, de 1534, altamente obscenas e licenciosas, que entraram no Indice dos livros proibidos. Foi precisamente com a obra que Orlando di Lasso pôs em música que Luigi Tansillo, o qual Torquato Tasso considerava um dos melhores poetas italianos do Cinquecento, obteve finalmente perdão, apesar de nem aqui abdicar totalmente de referências ao amor carnal, a sua grande especialidade, comparando a capacidade de um bom amante de ler os desejos mais recôndidos nos olhos da amada, com a forma como Pedro lê o que lhe dizem os de Cristo (na stanza 56, quarto entre os madrigais de Lasso).
Por seu turno, para Orlando di Lasso, neste momento de despedida da vida terrena e estando a passar por uma fase muito infeliz, fazia sentido escrever uma obra de grande fervor penitencial, manifestação de extrema tristeza.
Não terá sido por acaso que os primeiros grandes teóricos da Retórica Musical, como Johann Burmeister, viam em Orlando di Lasso o exemplo máximo da poética dos sons. Nesta sua última obra, a manifestação expressiva do texto, distribuída simbolicamente pelo raro número de sete vozes, em 21 peças (3x7), encontra o seu voo mais arrojado, desde as planuras do céu, até ao mais profundo abismo do inferno. - VASCO NEGREIROS
                                                                                                     

O autor escreve segundo a antiga ortografia


Produção | CCB


29 abril 2018 | 16:00

Sala Luís de Freitas Branco
M/6
Duração aprox. 1h
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