TEATRO DE ALMADA
A companhia de Teatro de Almada apresenta a leitura dramatizada de O Presidente, primeira peça de carácter político de Thomas Bernhard e que se passa, em parte, em Portugal, ainda no tempo da ditadura.
O Presidente, estreado a 17 de Maio de 1975 no Burgtheater de Viena, é a primeira peça de carácter político de Thomas Bernhard. A sua acção passa-se em parte em Portugal, no Estoril, ainda no período da ditadura.
O Presidente de um país cujo nome não é indicado, mas que se supõe ficar na Europa Central, escapa por acaso a um atentado perpetrado por “anarquistas”, entre os quais se encontra o seu próprio filho, e vem a Portugal descansar acompanhado pela amante, uma actriz de segunda categoria, enquanto a mulher vai para a montanha, provavelmente também com um amante. Na última cena, muito breve, o cadáver do presidente, morto por fim num atentado, e presumivelmente pelo próprio filho, está colocado em câmara ardente.
As referências do presidente ao “ambiente agradável” da “costa atlântica”, ao dirigir-se aos oficiais portugueses que estão com ele no Casino Estoril, mostram as suas afinidades com o Portugal de Salazar, onde “sem perigo/ sem a preocupação de ser abatido a tiro”, se pode “comer e beber bem”. “E porque os senhores aqui”, acrescenta ainda o presidente, “têm tudo na mão/ não se dão ao luxo de ter anarquistas”, porquanto “o grande número das vossas prisões/ garante/ tranquilidade e ordem”.
Thomas Bernhard — esclareça-se —, não era um político, e podemos mesmo afirmar que detestava a política e os políticos. E as primeiras palavras pronunciadas pela mulher do presidente (“ambição/ ódio/ nada mais”), várias vezes repetidas no decorrer da peça, constituem, por assim dizer, um lema da política, mesmo para o próprio autor, que podemos considerar algo como um “elitista”.
ANTÓNIO PALMA CAETANO, TRADUTOR DE O PRESIDENTE
Produção: TEATRO DE ALMADA