Em 2008/2009, por outro lado, quatro compositores vão estar em destaque: Beethoven, cuja evocação, iniciada em Janeiro, culminará no fim-de-semana de 20 e 21 de Dezembro, com a ópera Fidelio em versão de concerto e a reconstituição do concerto de Viena de 1808; e Olivier Messiaen (de quem se assinala o centenário do nascimento), ambos na primeira parte da temporada. Já em 2009, será a vez de Haydn e Mendelssohn, por ser o ano em que passa o segundo centenário da morte do primeiro e do nascimento do segundo. A evocação dupla coloca-se sob a égide do confronto entre duas expressões musicais muito diversas: o ano de 1809 foi um tempo de criação entre dois mundos, o clássico, que simbolicamente se esvaía com a morte de Haydn, e o romântico, que ainda mal se sabia que estava a nascer, e do qual Mendelssohn foi um dos primeiros expoentes. E a Orquestra Sinfónica Portuguesa abordará de forma sistemática alguns dos aspectos mais destacados da música francesa dos séculos XIX e XX.
A apresentação de La Didone, do compositor barroco Francesco Cavalli, pela companhia norte-americana The Wooster Group, aborda os territórios da ópera numa visão contemporânea que evidencia o trabalho teatral deste notável agrupamento, numa co-produção do CCB com o Festival de Edimburgo, a Productiehuis de Roterdão e o Grand Théâtre du Luxembourg. E em Janeiro repõe-se La Spinalba, de Francisco António Almeida, recriada pelos Músicos do Tejo de Marcos Magalhães, espectáculo cuja estreia, na temporada de 2007/2008, foi acolhida entusiasticamente pela crítica e pelo público.
Em Setembro de 2008, o festival Música Viva transbordará das salas de concerto para os espaços exteriores do CCB, numa operação de “contaminação musical” do vasto complexo do Centro. E em Abril de 2009 as instalações do CCB abrem-se à terceira edição dos Dias da Música em Belém, que será dedicada a avaliar A Herança de Bach: por que razões (musicais) é que, duzentos e cinquenta anos depois da sua morte, voltamos sempre a Bach? Quem se encarregou de recolher e transmitir o seu legado? Como é que o século XX renovou o interesse pela obra do mestre de Leipzig? E os contemporâneos, ainda gostam de Bach?
Um passo em frente na programação de Jazz: depois da 1.ª Escola de Verão de Jazz de Lisboa (Lisbon Jazz Summer School), em Julho deste ano, a programação insiste no bem--sucedido programa Jazz às 5as, de Maio a Setembro; mas, porque o prazer dos melómanos deve ser vivido durante todo o ano, o programa Dose Dupla ocupará as noites de quinta-feira durante o Inverno, no conforto do edifício principal do CCB, em formato original: um músico português e um estrangeiro “dialogam” por música. Nesta temporada, Richard Galliano actuará pela primeira vez no Grande Auditório, bem como Bill Frisell e Lisa Ekdahl. E em Julho de 2009 um fim-de-semana inteiro será dedicado a alguns grandes pianistas de jazz, numa iniciativa intitulada PianoJAZZ.
A programação de Dança apresenta um conjunto de grandes criadores contemporâneos, alguns dos quais em estreia em Portugal. É o caso de Constanza Makras, de nacionalidade argentina mas radicada na Alemanha, que traz ao palco do Grande Auditório a coreografia Big in Bombay; da companhia canadiana La La La Human Steps; de Angelin Preliocaj, que apresentará, logo a seguir ao Natal de 2008, a sua versão de Branca de Neve; de Philippe Decouflé e Companhia, que apresentarão Sombreros; da bailarina de origem indiana Shantala, que integra a companhia de Pina Bausch, e que proporá dois espectáculos, Namasya e Gamaka; e de Ko Murobushi, um dos expoentes da dança “butô”. Alain Buffard propõe um espectáculo que explora as fronteiras entre dança, teatro e canto em Not a Love Song, com a participação de Vera Mantero. E dá-se continuidade à programação BoxNova, que apresentará, ao longo da temporada, novos criadores.
O Teatro e a Literatura ocupam lugar destacado na programação da temporada de 2008/2009.Por vezes os caminhos destas duas disciplinas cruzam-se, como acontecerá em Novembro, com a produção de A Senhora de Sade a constituir um dos momentos mais altos do ciclo dedicado ao escritor japonês Yukio Mishima. Ou em Março de 2009, quando do Festival Fervor de Buenos Aires, dedicado à capital argentina: a companhia de Claudio Tolcachir apresentará La Omisión de la família Coleman. Mas a oferta teatral vai para lá disso: desde As Criadas de Jean Genet, em encenação de João Garcia Miguel, a Jerusalém, a versão dramatúrgica de O Bando sobre o texto multipremiado de Gonçalo M. Tavares, à apresentação de criações de Thomas Ostermeyer e Pippo Delbono, no âmbito do programa europeu Prospero de que o CCB é parceiro fundador, a escolha é ampla e diversificada.
E haverá Novo-Circo, actividades dirigidas aos mais novos (a programação habitual do Centro de Pedagogia e Animação), Cinema e comemorações do Dia Mundial da Poesia e, no Verão, voltará o Festival CCB Fora-de-Si nos meses desejavelmente quentes de Julho e Agosto.
música
Artista Associada da Temporada
Maria João Pires
A pianista Maria João Pires será a Artista Associada da Temporada de 2008/2009. Em Setembro de 2008 e Janeiro e Abril de 2009, a artista portuguesa apresentar-se-á por três vezes no CCB, consolidando uma relação de colaboração artística iniciada em Abril de 2007, quando actuou na primeira edição do Festival Dias da Música em Belém. Maria João Pires começará a sua associação à temporada do CCB com um concerto inteiramente dedicado a Beethoven, no âmbito do projecto Beethoven 2008, sendo acompanhada pelo violoncelista Pavel Gomziakov e pelo tenor Rufus Müller. Em Janeiro, Maria João apresenta um programa dedicado a Chopin, interpretando algumas das últimas páginas do compositor polaco; e em Abril, com um programa inteiramente dedicado a Haydn e Mendelssohn, associa-se à evocação destes dois grandes
compositores, que prosseguirá ao longo do ano.
Ensemble Associado da Temporada
Schostakovich-Ensemble (DSCH)
Criado em 2006 pelo pianista Filipe Pinto-Ribeiro, que é o seu director artístico, o Schostakovich-Ensemble (DSCH) tem actuado regularmente no CCB, destacando-se, ainda recentemente, a Integral dos Trios com Piano de Beethoven, no final de Maio. Na temporada de 2008/2009, o DSCH, cuja formação base integra, além de Pinto-Ribeiro, a violinista Tatiana Samouil e o violoncelista Pavel Gomziakov, será Ensemble Associado do CCB, actuando aqui com regularidade, numa série de espectáculos que terão momento alto em Dezembro, com a execução do Quatuor pour la fin du temps de Messiaen, e em Fevereiro, numa Carta Branca na qual participa o barítono belga José Van Dam, convidado pela formação.
