Notícias
|
11-09-2010 a
31-07-2011
TEMPORADA 2010 > 2011
Os nossos compromissos Em conformidade com aquela que é desde o início a sua missão principal, o Centro Cultural de Belém tem vindo a consolidar e aprofundar nos últimos anos a sua relação com os criadores e artistas portugueses. A existência da figura dos artistas associados de temporada (Maria João Pires, Rui Horta,Teatro Praga), o lançamento de uma política de formações em residência (Divino Sospiro, Orquestrade Câmara Portuguesa, OrchestrUtopica, Schostakovich Ensemble), e o investimento em produçõesde raiz envolvendo criadores nacionais (Divino Sospiro e A Paixão segundo São Mateus, Olga Roriz e A Sagração da Primavera, Teatro Praga e o Sonho de um noite de Verão, ou as encomendas a Eurico Carrapatoso, António Pinho Vargas, Sérgio Azevedo, Alexandre Delgado, João Pedro Oliveira), correspondem a uma opção estratégica que parte do princípio de que essa é a melhor forma do CCB cumprir a sua missão de serviço público, para a qual é financeiramente apoiado pelo Estado. A aposta responde ao evidente florescimento, nos últimos vinte anos (que correspondem ao tempo de vida do CCB), da actividade criativa e cultural portuguesa, já não apenas confinada aos grandes centros urbanos. Construir, na sua maior parte, uma temporada de espectáculos recorrendo a músicos, actores, bailarinos, coreógrafos, escritores e encenadores portugueses é um desafio que temos vindo a enfrentar, não perdendo de vista a natureza cosmopolita de um grande centro cultural europeu.
As circunstâncias financeiras em que o país vive não podiam deixar de se repercutir na vida e na programação do CCB. Já na recta final de elaboração da programação da temporada 2010/2011, fomos colocados perante escolhas, não poucas vezes dolorosas, de forma a adequarmos às disponibilidades financeiras as nossas propostas programáticas. Quisemos, no entanto, manter-nos fiéis ao nosso compromisso com os criadores portugueses, pelo que preservámos, na máxima medida possível, os projectos que tínhamos em curso e que envolviam artistas nacionais.
Por isso, na sua temporada 2010/2011, o CCB vai acolher um dos maiores pianistas portugueses da actualidade, Artur Pizarro, que será o Artista Associado da Temporada. Ao longo de nove recitais, Pizarro dará corpo a um projecto ambicioso e exaustivo: a interpretação de toda a obra para piano solo de Fryderyk Chopin, no segundo centenário do seu nascimento. A programação musical releva ainda a participação do Coro Lisboa Cantat em projectos de grandeenvergadura, como o Messias de Handel e As Estações de Haydn (com a Orquestra Metropolitanade Lisboa), e ainda nos Dias da Música. O Coro Lisboa Cantat será Coro Associado da Temporada, aprofundando assim o trabalho que o CCB vem fazendo com artistas e formações portuguesas. Duas produções de ópera barroca verão aqui a luz do dia, ambas apresentadas por agrupamentos portugueses: a de Antigono, de Antonio Mazzoni (1717-1785) – última estreia da Ópera do Tejo antes do terramoto de 1755 – pelo Divino Sospiro; e Le Carnaval et la folie, de André Destouches (1672-1749), pelos Músicos do Tejo. E em co-produção com o Festival Internacional de Almada aqui se apresentará, em Julho de 2011, a ópera de Alexandre Delgado A Rainha Louca, que resultou de uma encomenda do CCB ao compositor. No domínio do Teatro, por aqui passarão Gonçalo Waddington, com Rosmersholm, de Ibsen; João Garcia Miguel, com Mãe Coragem, de Brecht; Beatriz Batarda com Sangue Jovem, de Asmussen; e O Bando, com uma nova versão de Pedro e Inês. Encenadora convidada será a finlandesa Cilla Back, que apresentará uma criação no âmbito do projecto Prospero de cooperação cultural europeia.
Três novos projectos arrancam esta temporada no CCB: o primeiro é a Companhia Maior, que visa estimular a criação artística dos artistas com mais de sessenta anos de idade, numa perspectiva interdisciplinar. A Companhia Maior, que estará em residência no CCB, apresenta como primeiro espectáculo Bela Adormecida, numa recriação de Tiago Rodrigues. O segundo é o Big Bang – Festival Europeu de Música e Aventura para Crianças, que terá a sua primeira edição em Outubro. O terceiro é a estreia da Big Band Júnior, projecto de uma formação de jazz de jovens intérpretes, que trabalha na continuidade da Lisbon Jazz Summer School, e que associa o CCB e o Hot Clube de Portugal. A temporada musical do CCB propõe ainda o ciclo Sofia Gubaidulina, a hora da alma, uma significativa homenagem à compositora russa, cuja obra é presença regular nos nossos programas, sobretudo dos Dias da Música. Sofia Gubaidulina (n. 1931), que estará presente durante o ciclo (e actuará com o Schostakovich Ensemble), verá executadas peças sinfónicas e de câmara do seu vasto catálogo, numa perspectiva da sua obra que reúne esforços da Orquestra Sinfónica Metropolitana, do Coro da Rádio da Letónia, do Schostakovich Ensemble e dos solistas Filipe Pinto-Ribeiro, David Geringas, Geir Draugsvoll e maestro Mikhail Agrest. A mesma abertura ao mundo preside ao festival Dias da Música, na sua quinta edição, que será dedicado ao tema Da Europa ao Novo Mundo, 1883-1945, percorrendo os ventos de mudança que se verificaram entre a morte de Wagner e o fim da II Guerra Mundial. De Dvorák a Bernstein, de Richard Strauss a Copland, de Satie a Gershwin, de Freitas Branco a Eliott Carter, um panorama da música nos dois continentes, com incursões ao jazz e à música popular americana. A programação de Dança oferece, nesta temporada, três momentos altos, com a apresentação da coreografia de Paulo Ribeiro Dedicatória, com música de Paulo Emiliano; os Ballets C. de la B. com Gardenia, uma coreografia de Alain Platel; e Babel, coreografado por Sidi Larbi Cherkaoui e Damien Jalet com concepção visual de Antony Gormley. Mantém-se ainda o projecto BoxNova, que revela novos criadores no domínio da dança contemporânea. E serão ainda os criadores portugueses que estarão em destaque na programação de Literatura do CCB. Para lá do Dia Mundial da Poesia, a grande festa anual dedicada à poesia em português, haverá nesta temporada dias dedicados a José Saramago, Eduardo Prado Coelho, Lev Tolstoi (no centenário da sua morte), Clarice Lispector e Maria Gabriela Llansol.
Assim se cumprem, entre crises, restrições e contrariedades, os nossos compromissos.

|
|
|
|
|
|
|
|
|
Pesquisar Evento
|
|