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01-09-2009 a
31-07-2010
TEMPORADA 2009/2010
A temporada 2009/2010 do CCB será marcada por uma clara aposta nos criadores portugueses, nos domínios da Dança e do Teatro. Artistas associados da temporada serão agora o coreógrafo Rui Horta e a companhia Teatro Praga. A cada um serão pedidas três criações, de pequena, média e grande dimensão: no Grande Auditório, Rui Horta apresentará As Lágrimas de Saladino, enquanto o Teatro Praga levará à cena uma nova versão do Sonho de Uma Noite de Verão, desta vez acompanhada da execução da música de cena (The Fairy Queen) que Henry Purcell escreveu para as produções do texto de Shakespeare em finais do século XVII. No domínio da Dança, o CCB apresentará ainda trabalhos de Lia Rodrigues, Leonor Keil e Amélia Bentes, a coreografia de Olga Roriz para A Sagração de Primavera de Stravinsky(com a participação da Orquestra Metropolitana de Lisboa) e três grandes produções internacionais: Orfeu e Eurídice pela companhia Marie Chouinard, Sutra, coreografia de Sidi Larbi Cherkaoui com a participação dos monges do Templo de Shaolin e o sensacional coreógrafo de origem israelita Hofesh Shechter, com Uprising/In your rooms, uma grande produção que o lançou para o primeiro plano da nova dança internacional. E, claro, mantém-se o projecto BoxNova, que vem revelando talentos emergentes e novas direcções no domínio da dança.
A oferta teatral da temporada assinala o regresso à encenação no CCB de Jorge Silva Melo, primeiro com um original de José Maria Vieira Mendes, depois com a encenação de Comemoração do dramaturgo Harold Pinter, que foi Prémio Nobel da Literatura. Solveig Nordlund propõe a encenação de um texto de Marguerite Duras (La Musica), Luísa Costa Gomes apresenta a sua tradução de O Príncipe de Homburgo de Heinrich von Kleist e, no âmbito do projecto europeu Prospero, o CCB acolherá as novas produções de dois dos mais destacados encenadores europeus, Alvis Hermanis e Pippo Delbono, e a estreia nacional das produções dos dois grupos portugueses que integram o projecto, Circolando e Teatro Praga.
Mas o CCB é também uma casa de muitas músicas. Em residência no CCB estarão, nesta temporada, além da Divino Sospiro, da Orquestra de Câmara Portuguesa (OCP) e da OrchestrUtopica, também o agrupamento de câmara Schostakovich-Ensemble e os seus convidados. E aqui farão as suas habituais temporadas de concertos a Orquestra Sinfónica Portuguesa e a Orquestra Metropolitana de Lisboa. Presença regular e destacada da temporada será a orquestra barroca Divino Sospiro, que assegurará o concerto inaugural com o agrupamento L'Arpeggiata de Christina Pluhar. Para lá das master-classes e concertos com solistas como Christophe Coin, Chiara Banchini e Alfredo Bernardini, Divino Sospiro apresentará nesta temporada a oratória de Antonio Caldara Madalena aos pés de Cristo e constituirá a espinha dorsal do projecto De Bach a Kurtág, nas fronteiras da clareza imaginado pelo seu director Massimo Mazzeo, evento musical que associará três orquestras residentes: a OCP e a OrchestrUtopica juntam-se à formação barroca para um ciclo de concertos que se prolonga de quinta a domingo. Pela primeira vez, a formação de câmara Schostakovich-Ensemble será agrupamento em residência no CCB para a temporada 2009-2010. O ensemble dirigido pelo pianista Filipe Pinto-Ribeiro aprofundará durante esta temporada a sua experiência de colaboração com solistas convidados e interessados em participar num projecto de música de câmara de geometria variável. À formação-base (Filipe Pinto-Ribeiro, Tatiana Samouil e Pavel Gomziakov), juntar-se-ão, ao longo da temporada, o clarinetista Pascal Moraguès, o violoncelista Christian Poltéra, o pianista Eldar Nebolsin, o oboísta Ramon Ortega e os percussionistas Pedro Carneiro e Juanjo Guillem.
Em Janeiro de 2010, Maria João Pires regressa ao Grande Auditório, desta vez acompanhada pelo tenor Rufus Müller para uma peça maior do repertório de Lied: o ciclo Viagem de Inverno (Winterreise) de Franz Schubert. E em Fevereiro, o ciclo dedicado a Robert Schumann (Uma voz vinda de longe) evoca o grande compositor alemão no segundo centenário do seu nascimento, através de uma série de recitais de piano e concertos de câmara que trarão ao CCB os pianistas Piotr Andersewski, Jean-Efflam Bavouzet, Roger Vignolles e João Paulo Santos, o barítono Florian Boesch e o violinista Bruno Monteiro, e ainda o Schostakovich-Ensemble.
E o jazz, que é aposta maior do CCB, renovará o enorme sucesso que foram as quintas estreadas no Inverno de 2009 (Dose Dupla), mantendo a programação de Verão (Jazz às 5as.), ao mesmo tempo que promoverá a terceira edição da LJSS – a escola de Verão de jazz do CCB. Ao longo do ano, aqui tocarão Brad Mehldau, Jason Moran, Andrea Pozza, Scott Hamilton, Gilberto Gil e Bernardo Sassetti e o CCB dará Carta Branca a Fausto Bordalo Dias, naquela que será uma das grandes noites da música portuguesa.
Prosseguindo o seu ciclo de festivais dedicados às grandes cidades literárias, o CCB lançará em 2010 Pontes para Istambul, aproveitando a circunstância da cidade extraordinária ser Capital Europeia da Cultura. Cinema, fotografia, dança, música tradicional e contemporânea e literatura serão as áreas através das quais se procurará entreabrir algumas portas para entender a antiga Bizâncio. E em Abril será tempo de Dias da Música em Belém, este ano dedicados às Paixões da Alma, a partir da definição (cartesiana…) que delas deu Descartes. A Orquestra Sinfónica Metropolitana será formação sinfónica residente do festival, enquanto a OSP dará um dos concertos do programa.
Em laboração contínua estará a Fábrica das Artes do CCB, com uma programação de espectáculos, oficinas e exposições para miúdos e graúdos (e muito graúdos). Uma programação que acompanha a par e passo os grandes momentos do cartaz de espectáculos, como o Ciclo Schumann, os Dias da Música e o Festival sobre Istambul. Enfim, durante a temporada, para lá da já habitual comemoração do Dia Mundial da Poesia (em 2010 também com a participação da Orquestra Metropolitana de Lisboa), destaque para os dias que dedicaremos a dois grandes escritores: Agustina Bessa-Luís, em Outubro, e Jorge de Sena, em Novembro de 2009.
dança Artista Associado da Temporada Rui Horta
Ao aceitar o desafio do Centro Cultural de Belém de ser artista residente durante a temporada de 2009 e 2010, decidi igualmente partir para a aventura de criar 3 obrasdurante este período de tempo, obras essas que fossem parte de um todo, mais amplo, fruto de uma reflexão aprofundada sobre o meu próprio percurso de criador. As três obras, diferentes na escala (small, medium, large) e nas temáticas que abordam são, no entanto, unificadas pelo questionamento do papel do corpo no discurso coreográfico e teatral. Neste sentido o desafio foi igualmente aceitar esta próxima temporada como um momento de reflexão criativa, um laboratório permanente onde procurarei algumas respostas às inúmeras questões que o meu próprio percurso revela. Decidi assim criar uma trilogia. Na primeira obra Talk Show/Até se apagar o corpo interrogo o corpo como sistema comunicante e levanto a questão do seu desaparecimento ao longo da vida no território maior da sua evidência, o amor. Na segunda obra As Lágrimas de Saladino, abordo a saturação do corpo e o olhar sobre o corpo do outro, no complexo sistema relacional que são hoje as nossas metrópoles e os territórios sem fronteiras que inevitavelmente partilhamos. Corpo cultura, corpo político, território de simultaneidade, de poder e de negociação, inevitavelmente espaço de tensão social, mas igualmente espaço de descoberta e compaixão. Local Geographic, a terceira obra, é uma reflexão sobre a identidade e naturalmente aborda um corpo íntimo, uma geografia pessoal que passa pelo corpo como ferramenta de descoberta do mundo. Estas três obras representam igualmente um desafio acrescido, pois decidi, ao invés do que sempre faço, investir o espaço tradicional/ritual da sala de teatro. De facto, nas minhas últimas obras (Pixel, Set Up e Scope), o público esteve sempre envolvido no dispositivo cénico, como agente transformador, parte de um espaço cénico de geometria variável, contaminador da percepção. Nesta trilogia revisito a relação habitual público/intérprete e decidi investir as três escalas de apresentação do Centro Cultural de Belém (o Pequeno Auditório Sala Eduardo Prado Coelho, o Grande Auditório e a Sala de Ensaio), sendo que o desafio maior é manter-me fiel ao primado da percepção e do questionamento do olhar, temas axiais do meu discurso criativo.
Espectáculos
TALK SHOW/ATÉ SE APAGAR O CORPO 15, 16, 17 e 18 de Outubro no Pequeno Auditório – Sala Eduardo Prado Coelho
AS LÁGRIMAS DE SALADINO 5 e 6 de Março no Grande Auditório
LOCAL GEOGRAPHIC 11, 12, 13, 15 e 16 de Maio na Sala de Ensaio
teatro
Companhia Associada da Temporada Teatro Praga
O convite do Centro Cultural de Belém ao Teatro Praga para companhia residente durante a temporada 2009/2010 vem proporcionar um modo de programação e de concepção de espectáculos que nos interessa: um espectáculo em cada uma das três salas (cada uma delas com dimensões e características diferentes) é desde logo um óptimo ponto de partida. Perseguiremos pois, de diferentes formas e com diferentes dimensões, o percurso de uma nova Ética (que não andará longe da ética da verdade e não andará perto da ética universal), propondo a mudança do paradigma, explorando o mal e o bem, a revolução e a conservação, a caminho de uma outra arte. A ambição é futurista e por isso precisamos de catástrofes (Padam Padam), de duelos (Oil ain’t all, J.R.) e de um espectáculo maior que o Poder (Sonho de Uma Noite de Verão). Vislumbrar a luz na obscuridade do tempo, ser pontuais num encontro que só podemos falhar, com um pensamento afirmativo e ideológico. É isto que queremos tentar. Em três etapas que não dependem umas das outras, nem se seguem umas às outras. Não se trata de trilogias (R.I.P.) mas de três espectáculos unidos pela ausência de uma relação objectiva ou absoluta.
Long live a impossibilidade. Mandem vir a nave espacial.
Espectáculos
PADAM PADAM (NO ÂMBITO DO PROJECTO EUROPEU PROSPERO) 30 de Setembro a 5 de Outubro no Pequeno Auditório – Sala Eduardo Prado Coelho
OIL AIN'T ALL, J.R. 23 a 30 de Março na Sala de Ensaio
SONHO DE UMA NOITE DE VERÃO Julho no Grande Auditório (datas a anunciar)
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