Depois de O Doido e a Morte, baseada na obra homónima de Raul Brandão, a nova ópera de Alexandre Delgado foi criada a partir de uma peça de Miguel Rovisco, que tem por protagonista D. Maria I, a rainha Louca (1734-1816).
PEQUENO AUDITÓRIO – SALA EDUARDO PRADO COELHO
PREÇOS
Plateia 25€
Laterais 15€
DESCONTOS HABITUAIS (para bilhetes adquiridos no CCB)
Desconto de 25% para menores de 25 anos e maiores de 65
Bilhetes a 5€ para estudantes e profissionais de espetáculos (n.º limitado de bilhetes)
Desconto de 20% para grupos de 10 a 50 pessoas
Planta do Pequeno Auditório
SONS DE UM SÉCULO XVIII IMAGINÁRIO
Entre ecos da Revolução Francesa e da derrocada do Antigo Regime, D. Maria I é a Rainha Louca, uma rainha enclausurada num mundo de demência e evasão. Cómica, trágica e comovente, essa rainha "que deixou de o ser" foi encarnada de forma inesquecível por Fernanda Alves no Teatro Nacional de D. Maria II, em 1987.
A peça de Miguel Rovisco baseia-se em dados históricos que contrariam dois séculos de ideias feitas da historiografia antimonárquica: responsável pela criação da Academia das Ciências e da Biblioteca Nacional, promotora da primeira expedição científica à Amazónia, da renovação do Ensino e da Marinha, D. Maria I (1734-1816) era culta e sensível, dada à música e às artes; reinar é que não estava na sua natureza.
A sua loucura, que a afastou definitivamente do cargo em 1792, teve várias origens prováveis: padres fanáticos convenceram-na de que o seu pai ardia no Inferno, por culpa do Marquês de Pombal e da perseguição aos jesuítas. À perda do marido somou-se a morte do seu primogénito aos 27 anos, de varíola: os padres teriam proibido que fosse inoculada a vacina que estava a ser experimentada na época, “por ser contra a vontade de Deus”. A prisão de Maria Antonieta e a ideia de que a própria França, luz do Velho Continente, podia decapitar a sua rainha, terá sido a gota de água.
D. Maria quer evadir-se para um mundo "longe desta miséria", um mundo de sonho e beleza simbolizado pela Basílica da Estrela, essa marca que ousou deixar numa cidade “que não (lh)e pertence, cheia de cães, malfeitores e lixo”. A seu lado tem a jovem Henriqueta, gélida e azeda dama de companhia, que traduz a reação desumanizada contra a sociedade; o confronto entre as duas mulheres preenche todo o 1.º ato, que termina com a rainha a dançar o minuete “como outrora, com o (s)eu amado esposo”.
Outra presença é Rosa, a criada negra cujo modelo histórico era uma anã acarinhada pela rainha, que representa o bom selvagem, o ser das origens para quem o conceito de pecado não existe; a fôfa, “uma dança obscena, lá das vossas áfricas”, será o seu modo de evasão no fim da ópera. O 2.º ato concretiza as alucinações de D. Maria: no seu aniversário, é visitada por três damas que traçam um retrato hilariante e persistente da realidade histórica portuguesa, entrecortado por desabafos e recordações da rainha.
Harpa, cravo e marimba simbolizam respetivamente D. Maria, Henriqueta e Rosa, numa orquestra que inclui quinteto de sopros e quinteto de cordas. Segunda parte de uma Trilogia da Loucura começada em 1994 com O Doido e a Morte, esta ópera visita os fantasmas da mente humana com sons dum século XVIII imaginário.
Alexandre Delgado
Música e libreto de ALEXANDRE DELGADO
a partir da peça O TEMPO FEMININO DE MIGUEL ROVISCO
ORCHESTRUTOPICA
ALEXANDRE DELGADO direção musical
JOAQUIM BENITE encenação
JEAN-GUY LECAT cenografia e direção plástica
SÓNIA BENITE figurinos
JOSÉ CARLOS NASCIMENTO desenho de luzes
RODRIGO FRANCISCO assistente de encenação
ANA ESTER NEVES D. Maria I
MÁRIA LUÍSA DE FREITAS D. Henriqueta e Dama Encarnada
ANA PAULA RUSSO Dama Verde
TERESA CARDOSO MENESES Dama Amarela
NILMA SANTOS Rosa
Coprodução
CCB/Festival de Almada
Agradecimento | Academia das Ciências de Lisboa