A arte de Gógol ― NIKOLAI VASILIEVICH GÓGOL (1809/1852) ―, tal como nos é revelada em O Capote, sugere que as linhas paralelas podem não só encontrar-se, mas até contorcer-se e embrulhar-se da maneira mais extravagante, tal como dois pilares que se reflectem na água e se abandonam às mais loucas contorções provocadas pela ondulação. O génio de Gógol é precisamente essa ondulação – dois e dois são cinco, e até a sua raiz quadrada.
Vladimir Nabokov
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LEITURAS DE CONTOS DE SÃO PETERSBURGO
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Avenida Névski (1834)
lido por PEDRO GIL
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Diário de Um Louco (1834)
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O Nariz (1836)
lido por JORGE SILVA MELO
NIKOLAI VASSILIEVITCH GOGOL
(Sorotchintsi, Poltava, 1809 Moscovo, 1852)
Escritor russo. Nasceu na cidade cossaca Sorochyntsi, em Poltava Governorate, Ucrânia. Oriundo de uma família de pequenos proprietários de terra ucranianos, passa a sua primeira infância no campo. Em 1821 muda-se para Nezin para estudar. Desde muito cedo deseja ser autor teatral. Em São Petersburgo conhece Puchkin, que o influencia notavelmente. Em 1836 inicia uma longa viagem pela Europa. Reside em diversas cidades, particularmente em Roma. Em 1848 volta para a Rússia e instala-se em Moscovo, onde vive o resto dos seus dias. Gogol é a primeira grande figura do realismo russo. Começa por escrever contos: Serões na Propriedade de Dikanka, Arabescos, O Retrato, Diário de Um Louco... Publica um importante romance, Taras Bulba, que descreve as lutas dos cossacos contra os ocupantes polacos. Mas não demora a inclinar-se para as propostas literárias do realismo. A este género se sujeita a sua obra-prima, Almas Mortas, que, baseando-se num facto real, uma burla que consiste em comprar servos mortos para os hipotecar e obter assim um empréstimo, vem a ser uma visão violentamente satírica da Rússia anterior à abolição da escravatura. Nos seus últimos anos vive atormentado pelas dificuldades que experimenta para narrar uma segunda parte de Almas Mortas. Vagueia pela Europa durante três anos, queima o manuscrito e prepara um volume intitulado Trechos Escolhidos da Correspondência com os Amigos. A reacção da crítica é muito dura, contra os propósitos moralizantes do autor. O crítico Belinski rotula-o de czarista. A inquietude e a insatisfação empurram-no para uma adesão fervente à fé cristã; o conflito da sua consciência com a actividade de escritor torna-se insustentável. Após uma viagem à Terra Santa, uma crise mística domina-o nos últimos anos da sua vida.
