Num momento determinante da sua carreira, em que é apontado com um dos
grandes valores do jazz actual, Sylvain Guérineau apresenta-se em Portugal com o contrabaixista Benjamin Duboc e baterista Didier Lasserre .
Há ainda poucos anos, houve uma altura em que a frente “hardcore” e as novas tendências da improvisação pareciam estar de costas viradas uma para a outra. A primeira, resultante da chegada à Europa do free jazz na década de 1960, e a segunda, responsável por um trabalho que incide ao nível das texturas, percorriam caminhos muito diferentes. No entanto, esse cenário alterou-se. Foi graças ao cruzamento de actividades em ambas as áreas e à troca de fórmulas nas práticas pessoais dos artistas, que esta alteração foi possível. O mesmo se passou com os franceses Sylvain Guérineau, Benjamin Duboc e Didier Lasserre. O primeiro é um representante da chamada velha guarda. Tocou nos anos de ouro com gigantes da “new thing” americana, como Sunny Murray e Henry Grimes. Relacionou-se, também, com os pioneiros do ramo francês, entre os quais Bernard Lubat, Francis Marmande, Jacques Di Donato e Jean-Luc Capozzo. Contudo, não se ficou por aí e tem vindo a procurar companhias mais jovens e com outras perspectivas de liberdade musical. No que diz respeito a Duboc, este foi antigo aluno de Jean-François e Jenny Clarke e acabaria por “estagiar” com Murray e Grimes (em duo de contrabaixos). Tocou com John Betsch (baterista favorito de Steve Lacy) e até com Byard Lancaster. Surgiu, ainda, ao lado de um “maverick” do Hexágono como Daunik Lazro. Associou-se, depois, a militantes do novo radicalismo “near silence” como Jean-Luc Guionnet e Edward Perraud. Curiosamente, foi com estes que constituiu o projecto The Fish e gravou um álbum à “maneira antiga”.
Por sua vez, Lasserre, é parceiro habitual de Bertrand Denzler, David Chiesa, Frédéric Blondy e outros extremistas. Todavia, fez parcerias com Ernest Dawkins, Kent Carter, Assif Tsahar e Sabir Mateen, seguidores do modelo sessentista. Em trio, só pode, portanto, acontecer uma de três coisas: vão tocar free, vão ser experimentalistas, ou vão associar os dois âmbitos. Em qualquer das hipóteses, será com certeza memorável.
SYLVAIN GUÉRINEAU saxofone alto
BENJAMIN DUBOC contrabaixo
DIDIER LASSERRE bateria