Depois do ciclo dedicado ao escritor norte-americano Paul Bowles, o CCB vai consagrar duas semanas da sua programação a um dos maiores escritores europeus da segunda metade do século XX: o austríaco Thomas Bernhard (1931-1989). Um dos mais polémicos escritores da sua geração, Bernhard estudou música e canto antes de se dedicar exclusivamente à literatura e à escrita para teatro. A sua escrita, musical e rigorosa, revela uma consciência crítica exacerbada pelas vicissitudes da vida pessoal.
Neste ciclo, será abordada a sua relação com a música, bem expressa em obras como O Náufrago e O Sobrinho de Wittgenstein, e o teatro, com leituras de O Presidente e a reposição da encenação do Teatro de Almada para O Fazedor de Teatro, com a qual o actor Morais e Castro ganhou o Prémio da Crítica em 2004. O seu tradutor para português, José António Palma Caetano, abordará em conferência a relação de Thomas Bernhard com Portugal, e uma Comunidade de Leitores discutirá aspectos da sua obra literária, na Sala de Leitura do CCB. A concluir o ciclo, o maestro Michael Zilm dirigirá a Orquestra Metropolitana de Lisboa num concerto preenchido com música sobre a qual escreveu, designadamente a Sinfonia Haffner, de Mozart.
A exposição Thomas Bernhard, organizada pela Fundação Privada Thomas Bernhard, e as pessoas da sua vida, dará a conhecer aspectos da vida e da criação do escritor, com a apresentação de numerosos originais do autor de Antigos Mestres.
Thomas BernhardNasceu em 1931, na Holanda. Passou a infância com os avós maternos, em Viena. O avô era o escritor Johannes Freumblicher, que seria a grande referência da sua vida. Em 1935, Bernhard muda-se com os avós para Seekirchen, perto de Salzburgo. Foi educado em dois internatos, um nacional-socialista e o outro católico, que o marcaram muito. A morte do avô em 1949 e a da sua mãe no ano seguinte abalaram profundamente o escritor.
Depois da sua hospitalização, devido a uma tuberculose que lhe deixou sequelas, Bernhard arranjou emprego num jornal de Salzburgo, ao mesmo tempo que começou a escrever contos e poemas. Em 1957 foi publicado o seu primeiro livro de poesia,
Na Terra e no Inferno, ao qual se seguiram outras colectâneas de poesia. Posteriormente, o autor aventura-se na escrita em prosa e no género dramático, publicando o seu primeiro romance,
Frost, em 1963, e a sua primeira peça,
Uma Festa para Boris, estreada em 1970.
Foi um escritor polémico, que não deixou de exprimir opiniões controversas nas suas muitas obras, sobretudo sobre a sua relação ambígua com a Áustria e os austríaco