SALA SOPHIA DE MELLO BREYNER
Programa
LUDWIG VAN BEETHOVEN Quarteto de cordas op.132
EUROPA STRING QUARTET
LYONEL SCHMIT violino
ALEXANDRA GREFFIN violino
JANO LISBOA viola
CEDRIC CONCHON violoncelo
Os quartetos de cordas de Beethoven são um dos conjuntos de obras mais importantes do repertório da música de câmara. Como escreveram R. Winter e R. Martin: “Os dezassete quartetos de cordas de Beethoven estão para a música de câmara como as peças de Shakespeare estão para o teatro.”
Os últimos quartetos de Beethoven, compostos pouco depois de obras de grande escala como a Sinfonia n.º 9 ou a Missa Solemnis, representam o culminar de um percurso de vida e de uma linguagem musical. O musicólogo Alfred Einstein chegou mesmo a escrever: “As últimas sonatas e os últimos quartetos [de Beethoven] são uma espécie de monólogos, à audição dos quais somos simplesmente admitidos, confissões de um solitário unicamente escritas para ele e para o seu Deus.” No entanto, se estas obras podem ter causado algum espanto ou incompreensão na época, não deixam de fazer parte integrante do grupo restrito de obras-primas da música de câmara.
Em termos formais, nota-se nestas obras uma liberdade acrescida, bem patente já no Quarteto op. 132 em Lá menor (concluído em Julho de 1825). Neste caso, o compositor integra uma marcha entre uma canção de Acção de Graças, em modo lídio (uma das sete “escalas” medievais), e o Finale, subvertendo assim a estrutura clássica. Há que mencionar que este quarteto foi escrito, juntamente com os op. 127 e 130, para o príncipe Galitzin, um aristocrata russo de São Petersburgo que tocava violoncelo, que os encomendou ao compositor em Novembro de 1822.
Francisco C. Sassetti