SALA SOPHIA DE MELLO BREYNER
Mestres de Bach
TERA SHIMIZU violino barroco
MARCOS MAGALHÃES cravo
Programa
JOHANN JAKOB WALTHER
Sonata n.º 8 em Dó maior, extraída de Scherzi da Violino solo con il basso continuo
HEINRICH IGNAZ FRANZ BIBER
Sonata n.º 2 em Ré menor - Praeludium/Aria e Variatio/Finale
GEORG MUFFAT
Passacaglia em Sol menor para cravo, extraída de "Apparatus Musico-Organisticus
JOHANN HEINRICH SCHMELZER
Sonata n.º 2, extraída de Sonata e unarum fidium
GEORG MUFFAT
Sonata para violino e baixo contínuo em Ré maior
Os Scherzi da Violino con solo il basso continuo, o primeiro volume de composições de Johann Jakob Walther, foi publicado em 1676. A 8ª sonata na série de Scherzi corresponde ao modelo italiano contemporâneo da época com as suas secções ligadas. Muito evidentes são as alterações frequentes de tempo, mas ainda mais notável é o desenvolvimento da técnica do arco.
Passagens em registos agudos exigindo mudanças de posição (pouco comuns naquela época
na Alemanha), a escrita polifónica nos andamentos lentos, e a técnica do arco com passagens marcadas stacacato, ondeggiando, arpeggiando lento, tudo isto demonstra a grande criatividade de Walter, bem como a sua mestria na execução do instrumento.
As Sonatas para violino de Henrich Biber são um exemplo capital do "stylus phantasticus" através do seu floreado inventivo, extravagante e sempre surpreendente. Evocam sonatas de Uccellini, Pandolfi Mealli, Schmelzer e Muffat com improvisos da voz solista sobre pedais nos graves e ostinati. As Sonatae a Violino Solo de Biber foram publicadas em 1681, em Salzburgo e consistem em 8 sonatas para violino e baixo contínuo.
A Sonata per violino e basso de Muffat é a única peça conhecida do compositor. Está datada de 2 de Julho de 1677, em Praga. Embora Muffat nunca tenha estado ao serviço do Bispo de
Olomoucv, Karl Liechtentstein-Castelcorn, esta é a única peça da sua autoria pertencente à
extensa biblioteca musical do Bispo. Escrita aos 24 anos, a sonata é notável pela combinação dos estilos francês, italiano e alemão ("Vermischten Geschmack") e pela sua natureza retórica. (Muffat já teria sido influenciado pela escola italiana durante a sua estadia em Viena.) O tema de abertura da sonata repete-se no final da peça e a secção intermédia consiste numa fuga com o motivo de abertura no registo grave. Este é interrompido por um recitativo preenchido com modulações inesperadas e alterações inarmónicas. O resultado é uma obra fluente preenchida por variações, ostinatos, fugatos, recitativos e mudanças velozes entre as secções rápidas e lentas. De salientar a total ausência no uso de cordas duplas por Muffat, contrariamente aos seus colegas, Biber e Walter. A sonata para violino é considerada um marco na história do violino da era barroca, notável pela sua imaginação brilhante e amplitude.
A publicação da Sonatae unarum fidium de Schmelzer em 1664 é considerada a primeira edição de sonatas para violino e baixo contínuo por um não-italiano em países de língua alemã. São notáveis pela sua virtuosidade elegante e são variações frequentemente baseadas num basso ostinato, típico das sonatas para violino da época barroca.
Tera Shimizu