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DIAS DA MÚSICA EM BELÉM
B21 - MIGUEL HENRIQUES
25 Abr 2009 - 22:00
MIGUEL HENRIQUES piano
Programa
JOHANN SEBASTIAN BACH Prelúdio e Fuga em Dó maior, n.º 1 do I.º Caderno do T. B. T., BWV 846
DMITRI SCHOSTAKOVICH Prelúdio e Fuga n.º 3, em Sol maior
JOHANN SEBASTIAN BACH Prelúdio e Fuga em Fá sustenido menor, n.º 14 do II.º Caderno do T. B. T., 882
DMITRI SCHOSTAKOVICH Prelúdio e Fuga n.º 6 em Si menor
JOHANN SEBASTIAN BACH Prelúdio e Fuga em Lá menor, n.º 20 do I.º Caderno do T. B. T., BWV 865
DMITRI SCHOSTAKOVICH Prelúdio e Fuga n.º 1 em Dó maior
JOHANN SEBASTIAN BACH Prelúdio e Fuga em Dó menor, n.º 2 do I.º Caderno do T. B. T., BWV 847
DMITRI SCHOSTAKOVICH Prelúdio e Fuga n.º 2 em Lá menor
JOHANN SEBASTIAN BACH Prelúdio e Fuga em Dó sustenido menor, n.º 4 do I.º Caderno do T. B. T., BWV 849
DMITRI SCHOSTAKOVICH Prelúdio e Fuga n.º 24 em Ré menor
O programa deste recital – a audição de alguns Prelúdios e Fugas de Johann Sebastian Bach e de Dmitri Schostakovich – inclui no seu projecto o estabelecimento de múltiplas relações entre as peças seleccionadas, num primeiro momento numa perspectiva de apreciação individual de cada uma, e depois procurando a síntese que define o estilo pessoal dos seus autores, comparando abordagens, ambientes e gestos, encerrados dentro de um mesmo modelo formal de escrita contrapontística. Além da fruição de cada obra, propõe-se a verificação de semelhanças e diferenças, mais ou menos objectivas, que simultaneamente aproximam e separam estes dois compositores.
No alinhamento da sequência destas peças poder-se-ia optar por blocos de 2, 3 ou mais peças de um e outro compositor. Desse modo o perfil de cada autor surgiria mais consistente, melhor caracterizado na temporalidade da sua obra, do seu estilo. No entanto, dadas as características destas peças (algo exigentes do ponto de vista da sua audição concentrada), e porque a memória do ouvinte é permanentemente solicitada pelo acontecimento imediato, tornando menos óbvias associações com elementos mais remotos no tempo da sua audição, a opção pela sequência alternada de peças isoladas de um e de outro compositor permite a aproximação dos diversos momentos musicais que se pretende apreciar em confrontação recíproca.
Importa ainda referir que a relação entre as tonalidades dos sucessivos números, mantendo uma relevância evidente, não se considera como determinante. É antes o carácter de cada peça, o seu “peso”, a sua duração, a sua maior ou menor vivacidade, extroversão ou interioridade, que influencia a opção final. São assim exploradas as diferenças e as semelhanças de escrita, de tratamento de temas ou motivos melódico-rítmicos. Com esta abordagem pretende-se aproveitar o poder da sugestão das recorrências musicais, e o efeito continuado da familiaridade com o material musical, de modo a valorizar a sua real apropriação por parte do ouvinte.
Encontrar um alinhamento de peças para um concerto pode revelar-se mais ou menos difícil, e acarreta um certo número de decisões, por vezes um pouco “solitárias”. Melhor ou pior fundamentadas, nunca deixarão de se limitar a ideias pessoais, carregadas de subjectividade.
Miguel Henriques
 Prelúdio e Fuga em Dó menor, n.º 2 do I.º Caderno do T. B. T., BWV 847
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