SALA LUÍS DE FREITAS BRANCO
Programa
JOHANN SEBASTIAN BACH
Suite Francesa n.º 2 BWV813
JOHANNES BRAHMS
2 Gavottes WoO Posth 3
2 Sarabanden WoO Posth 5
HEITOR VILLA-LOBOS
Bachiana Brasileira n.º 4
GYÖRGY KURTÁG
3 peças de Játékok
JOÃO ABOIM piano
Na tentativa de ilustrar a longevidade da música de Bach escolhi um programa ecléctico, percorrendo diversas épocas e estilos, até chegar aos dias de hoje. A ponte que liga as minhas escolhas à música de Bach é sobretudo formal, com relevo dado ao prelúdio, ao coral e às várias danças presentes nas Suites Francesas. O carácter, a sonoridade e o estilo distintos de cada peça exemplificam a heterogeneidade de influências possíveis e a indiscutível ligação da grande maioria dos compositores à obra do mestre barroco.
João Aboim
Diz-nos o pianista que embarcámos numa viagem no tempo. Começamos com Bach, o homenageado, numa obra que reúne danças populares e de corte. No século XIX, Brahms – que trabalhava o contraponto e estudava a obra de Bach – compôs também sobre as mesmas danças na linguagem musical da sua época.
Villa-Lobos fez uma grande homenagem a Bach, compondo as 9 Bachianas Brasileiras: suites com modelo barroco, mas vistas à luz do nacionalismo brasileiro; ouvem-se as danças tradicionais do Brasil e alguns pássaros. Esta Bachiana n.º 4 foi escrita inicialmente na versão para piano que ouvimos hoje e só mais tarde orquestrada.
Kurtág tem coleccionado Játékok (Jogos) ao longo da sua vida: pequenas peças didácticas, homenagens, ideias para outras obras, reflexões em jeito de diário musical. Os incontáveis números de Játékok formam uma enciclopédia do pensamento de Kurtág e das suas referências, entre as quais Bach.
Helena Romão