SALA LUÍS DE FREITAS BRANCO
Programa
JOHANN SEBASTIAN BACH Sonata n.º 1 para violino e teclado, BWV1014
LUDWIG VAN BEETHOVEN Sonata n.º 9 para violino e piano, op.47 "Kreutzer"
PATRICIA KOPATCHINSKAJA violino
FAZIL SAY piano
O duo de extraordinários intérpretes e o repertório escolhido prometem um concerto virtuosístico e temperamental. Nas duas sonatas os dois instrumentos estão em pé de igualdade, dialogando num corpo a corpo, por vezes batalhando pelo protagonismo.
A Sonata n.º 1 para violino e teclado (Clavier em alemão arcaico designava qualquer instrumento de tecla) foi composta quando Bach estava em Cothen ao serviço do príncipe Leopold, excelente violinista, o que lhe permitia uma escrita de grande exigência, procurando desafiar os limites técnicos dos instrumentos.
As edições contemporâneas de Bach tinham o título Sonata para teclado e violino, dando portanto primazia ao primeiro, algo nunca visto. A mão direita ganhou autonomia, deixou o papel de baixo contínuo apenas à esquerda, assumindo-se como uma voz de pleno direito, pelo que alguns analistas argumentam que se trata de um trio para dois instrumentos.
A Kreutzer é uma das obras mais conhecidas de Beethoven. De carácter intempestivo e apaixonado deu origem a diversas obras de arte: um quadro, um romance de Tolstoi –que a considerava um símbolo da paixão fatal e devastadora, entre outras.
Como muitas peças de Beethoven a recepção foi controversa: Kreutzer, a quem a sonata é dedicada, nunca a tocou em público por a considerar ininteligível; em Viena era apelidada de "terrorismo musical".
A encomenda partiu inicialmente do violinista mulato George Bridgetower que, mesmo tendo recebido a partitura na véspera, a tocou com êxito na estreia, com o compositor ao piano. Após um desentendimento, Beethoven retirou a dedicatória "a um mulato lunático" e atribuiu-a a Kreutzer que, como vimos, nunca a tocou.