ARVO PÄRT
Collage on Bach, para oboé, cordas, cravo e piano ALEJANDRO VIÑAO
Concerto para marimba e orquestra WOLFGANG AMADEUS MOZART
Sinfonia n.º 41 em Dó maior K551 "Júpiter"
PEDRO CARNEIRO marimba
ENGLISH CHAMBER ORCHESTRA
ELSA SILVA piano
GARY WALKER direcção
O título Collage on BACH resume a segunda fase criativa de Pärt ainda nos anos sessenta quando se dedicou à técnica da colagem assim como ao estudo da música de J. S. Bach. A demanda de um discurso próprio arreigado na contemporaneidade, no cristianismo ortodoxo e na admiração profunda pelo mestre alemão, levou a este período intermédio da sua carreira. O tema do último andamento assenta nas notas BACH (cifra alemã, cuja grafia representa as notas Si bemol-Lá-Dó-Si natural) e cuja utilização não é inédita. Começou pelo próprio Bach ao inseri-lo na parte final de A arte da fuga (BWV 1080) e foi repetida por inúmeros compositores desde então.
De acordo com a abordagem de A. Viñao ao ritmo em que o toma como principal gerador da melodia, o Concerto para Marimba utiliza-o como criador da forma e da estrutura resultando daqui três secções com caracteres distintos, embora tocadas continuamente. A cadência final que resume todo o material ouvido até aí foi elaborada por Pedro Carneiro, sob a supervisão do compositor, e baseia-se nas três que este escreveu. A chamada Sinfonia Júpiter é a última do grupo final de três sinfonias que Mozart escreveu num espaço de semanas no Verão de 1788, um período difícil motivado por sérias carências económicas. É a sua sinfonia mais notável e distingue-se sobretudo pela forma muito inspirada com que Mozart a termina. Nada foge à forma típica das sinfonias deste tempo mas o final do último andamento, uma coda que consiste em breves compassos, impressiona pela tão curta quanto magistral fuga a cinco vozes.
João Pedro Louro