Programa
Concerto Instrumental no tempo de J.S.Bach
GEORG FRIEDRICH HANDEL Concerto Grosso op.3 n.º 4
ANTÓNIO PEREIRA DA COSTA Concerto n.º 6 em Si menor
ANTONIO VIVALDI Concerto em Ré menor RV535
JOSEF HAYDN Concerto n.º 2 em Dó maior HobXVIII,1
FLORES DE MÚSICA
JOÃO PAULO JANEIRO direcção
FLORES DE MÚSICA
ÁLVARO PINTO | RAQUEL CRAVINO | TERA SHIMIZU | PATRIZIO GERMONE | DENYS STETSENKO | NUNO MENDES violinos
LÚCIO STUDER| MIRIAM MACAIA violas
KENNETH FRAZER | SOFIA DINIZ violoncelos
DUNCAN FOX violone
PEDRO CASTRO | ANDREIA MARQUES oboés
HUGHES KESTMANN fagote
JOÃO PAULO JANEIRO órgão e direcção
Originário no universo musical italiano do período Barroco, o género concerto instrumental rapidamente se difundiu por toda a Europa. Estabeleceram-se então as suas principais variantes, o concerto grosso e o concerto solístico.
Tomando como ponto de partida algumas perspectivas do género concerto a partir dos contemporâneos de Bach, este programa evoca também duas efemérides, a passagem dos 200 anos da morte de Josef Haydn e os 250 anos da morte de G. F. Händel.
O concerto grosso op. 3, n.º 4 em Fá maior de Händel que abre o programa faz parte de um conjunto de 6 concertos publicados em 1734, os quais, sob o ponto de vista da instrumentação e estrutura interna, constituem um excelente paralelo aos extraordinários concertos Brandburgueses de Bach. Encontramos aqui uma mistura de estilos e tópicos, ritmos de dança diversos, abertura à francesa e a escrita imitativa.
Também em Portugal o género concerto foi cultivado na primeira metade do século. Pereira da Costa, mestre de capela da Sé do Funchal, fez publicar em Londres, em 1741, uma série de 12 concertos dos quais será aqui executado o n.º 6. Os seus concertos grossos evocam claramente o modelo dos concertos de Arcangello Corelli, que como sabemos instituiu a estrutura do concerto grosso.
Segue-se-lhe o empolgante concerto em Ré menor para 2 oboés, cordas e baixo contínuo RV 535 de António Vivaldi, que constitui um excelente exemplo da sua escrita concertística, muito admirada, aliás, por J. S. Bach, o qual acabou por transcrever e adaptar vários concertos deste compositor para órgão e cravo.
O programa encerra com o concerto solístico para órgão e orquestra Hob XVIII: 1 de Josef Haydn, escrito em 1756, ano de nascimento do Mozart, para assinalar a entrada da sua cunhada na Ordem das Clarissas. Este concerto, embora se baseie ainda na gramática do Barroco tardio, trilha já os percursos estilísticos do Sturm und Drang, movimento estético que na música encontrou em C. P. E. Bach e J. Haydn os seus mais ilustres cultores.