Concerto de Encerramento
Programa
1ª Parte
ANTON WEBERN
Orquestração da Fuga Ricercata de J.S.Bach (extraída da Oferenda Musical BW1079)
BENJAMIN BRITTEN Simple Symphony
I. Boisterous Bourrée
II. Playful Pizzicato
III. Sentimental Saraband
IV. Frolicsome Finale
Concerto Brandeburguês n.º 3 em Sol maior, BWV1048
Allegro - JOHANN SEBASTIAN BACH
An Impossible Task* - ANTÓNIO PINHO VARGAS
Allegro - JOHANN SEBASTIAN BACH
* Estreia absoluta - Encomenda CCB/DIAS DA MÚSICA EM BELÉM
ORQUESTRA METROPOLITANA DE LISBOA
ANA MAFALDA CASTRO cravo
MICHAEL ZILM, direcção
2ª Parte
JOHANN SEBASTIAN BACH - Magnificat BWV243
THE KING’S CONSORT orquestra e coro
GILLIAN KEITH soprano
LESTYN DAVIES contratenor
CHARLES DANIELS tenor
NEAL DAVIES baixo
MATTHEW HALLS direcção
A Orquestra Metropolitana vai tocar inicialmente um arranjo de Webern sobre uma peça da Oferenda Musical de Bach (Oferenda a Frederico II da Prússia). Webern inspirou-se naquele compositor ao longo de toda a sua obra, com fugas, cânones, danças e outros géneros barrocos, vistos à luz da técnica dodecafónica. Neste caso, a orquestração da Fuga Ricercata utiliza uma técnica de Schönberg – Klangfarbenmelodie (melodia de cores sonoras/timbres). Habitualmente uma melodia é entendida como uma sucessão de notas; neste caso, é também uma sucessão de timbres.
A Simple Symphony foi composta por Britten aos 20 anos, com a utilização de pequenas melodias que anotou durante a infância e adolescência. Foi pensada para uma orquestra amadora que o compositor iria dirigir em concerto e os andamentos são inspirados nas danças barrocas.
Segue-se a segunda resposta ao enigma deixado aberto no concerto de abertura dos Dias da Música. Qual seria a intenção de Bach ao deixar como transição entre o primeiro e o último andamentos do Concerto Brandeburguês nº 3 apenas uma sucessão de dois acordes? Poderia ser para tocar tal como está escrito, como aconteceu no concerto da Orquestra de Câmara Inglesa, mas poderia também ser com a intenção de intercalar uma obra à escolha dos músicos, como iremos escutar hoje. O compositor António Pinho Vargas escreveu sobre esta hipótese o texto que se segue.
Sobre An Impossible Task
Ao contrário da maior parte das encomendas habituais, a do CCB para o concerto de encerramento dos Dias da Música surgiu acompanhada de um programa. A proposta, feita por Michael Zilm e aceite com total interesse por António Mega Ferreira, era simples: compor um segundo andamento para o 3º Concerto Brandeburguês de J. S. Bach. O manuscrito existente é constituído por dois compassos com dois acordes e a prática habitualmente seguida consiste numa improvisação feita pelo primeiro violino de modo a conduzir aos dois acordes cadenciais.
Se a proposta era clara – compor um segundo andamento completo com a duração aproximada de um andante dos outros cinco concertos existentes – não deixava por isso de ser “impossível”, face ao peso da posição semi-divina de Bach no nosso imaginário musical e cultural de hoje.
Para mim a única possibilidade de trabalho teria de partir da plena assumpção da falha, da total exposição da ferida, evitando qualquer tentação de reconstituir o que não existe. Depois de um longo período de interrogação – muitas vezes a composição começa muito antes de começar a escrita – a opção foi trabalhar a partir de uma pequeníssima célula do final do 1º andamento de Bach e terminar usando os dois acordes existentes. Mas, pelo meio, escrever uma peça, constituir um discurso autónomo, uma pequena narrativa com a leveza com que os seus contemporâneos o fariam. Por outras palavras, muito longe do peso que o conceito (posterior) de obra e a ideia da perenidade imaginária nos criou.
António Pinho Vargas, Março de 2009
O Magnificat interpretado na segunda parte do concerto é uma das mais conhecidas obras de Bach. O texto em latim é o canto de alegria e gratidão entoado por Maria pouco depois da Anunciação.
A primeira versão desta obra foi composta para o primeiro Natal do compositor em Leipzig em 1731, que mais tarde a adaptou, originando esta versão em Ré M, de ambiente festivo, na qual Bach utilizou todo o conjunto de músicos que tinha à sua disposição.
Helena Romão