Programa
ELLIOT CARTER Concerto para clarinete e pequena orquestra
LUDWIG VAN BEETHOVEN Sinfonia n.º 7 em Lá maior, op.92
JOSÉ EDUARDO GOMES clarinete
ORQUESTRA DE CÂMARA PORTUGUESA
PEDRO CARNEIRO direcção
O ritmo, como estruturação da obra musical, obedece a duas concepções: a da forma, sobre o modo como se configuram os eventos musicais entre si, e a da dinâmica motora que os caracteriza. Estas duas obras dão conta destas duas vertentes exactamente por esta ordem. O Concerto para Clarinete (Paris, 1996), consiste em sete secções tocadas continuamente mas separada por seis tutti. Em cada uma das primeiras seis o solista é associado a um grupo de instrumentos de som similar pelo que se assemelha à alternância entre episódios solísticos e ritornelli própria do esquema do concerto barroco. Depois da Sinfonia Nº 6, Pastoral, Beethoven decidiu-se concentrar em obras de escala mais reduzida nomeadamente para tecla e conjuntos de câmara. Acontece que, numa mudança de rumo coerente com o seu génio, logo em 1811 começou a trabalhar novamente no género para, nos dois anos seguintes, ter terminadas mais duas sinfonias. A sétima, completada em Maio de 1812, foi estreada em Viena em Dezembro do ano seguinte num concerto de benefício para os soldados feridos nas guerras napoleónicas. É uma obra em que o elemento primordial é o ritmo e daí que, anos mais tarde, R. Wagner (1813-1883) a tenha denominado como a «apoteose da dança».
João Pedro Louro