Programa
JOHANN SEBASTIAN BACH Variações Goldberg BWV988
KENNETH WEISS cravo
A quarta parte do Clavierübung, publicada em 1742 e conhecida como Variações Goldberg é, tal como A Arte da Fuga ou os dois volumes de O Cravo Bem Temperado, uma das obras vastas e coerentes onde Bach utiliza toda a sua inteligência metódica e toda a sua criatividade.
Combinando intimidade com virtuosismo, também alia um grau de concepção e de escrita musical raramente alcançados.
A lenda conta que Bach teria recebido uma encomenda do Conde von Keyserlingk, embaixador russo na Corte de Dresden, para compor um conjunto de variações para cravo, para que um jovem intérprete, seu empregado e aluno de Bach, Johann Gottlieb Goldberg, as pudesse executar quando ele não conseguisse dormir. A verdade sobre esta história tem sido posta em causa, ainda que a confabulação acerca da insónia transmita alguma verdade sobre as variações.
As circunstâncias da sua composição foram, antes, políticas. Bach começou a escrever a obra antes de 1736, numa época em que aspirava ao lugar de Compositor da Capela da Corte de Dresden; conseguiu o cargo nesse mesmo ano, com o apoio de Keyserlingk. As Variações, apresentadas ao embaixador seis anos depois, são uma forma de retribuição desse gesto, prestando, simultaneamente, homenagem ao Príncipe-eleitor.
A obra consiste numa ária e trinta variações. A ária, retirada do Pequeno Livro de Anna Magdalena de 1725 (Bach adere ao princípio de que nada é criado a partir do nada), é uma espécie de sarabanda ao estilo francês, serena, executada com confiança e talentosamente ornamentada.
As trinta variações estão organizadas em dez grupos de três: cada um dos trios compreende uma variação “livre” (frequentemente com carácter de dança), uma peça virtuosa (muitas vezes utilizando os dois teclados do cravo) e finalmente um cânone.
Augustin Le Coutour
(Excerto do texto de apresentação da gravação das Variações Goldberg por Keneth Weiss)
KENNETH WEISS | J.S. BACH - VARIAÇÕES DE GOLDBERG - ARIA