Programa
PAUL HINDEMITH Sonata para violoncelo solo op.25 n.º 3
JOHANN SEBASTIAN BACH Suite para violoncelo solo n.º 3 em Dó maior BWV 1009
FERNANDO LOPES-GRAÇA Três Inflorescências
BRUNO BORRALHINHO violoncelo
Luz, alegria, festa. A tonalidade de Dó Maior da Terceira Suite de Bach não é uma coincidência, como não é coincidência a sua própria estrutura. Numa espécie de convite para o baile, o Prelude serve de aperitivo a 5 danças de diferentes estilos: uma Allemande na qual os convidados ainda se apresentam e saúdam mutuamente, uma Courante cheia de vida na qual o baile atinge todo o esplendor, seguindo-se uma Sarabande mais íntima e serena, antes do elegante Menuett I/II e do final triunfante e festivo da Gigue. O violoncelo como instrumento solista era uma ideia no mínimo inovadora, e as 6 Suites para Violoncelo-Solo foram um reflexo do génio criador de Bach, um tesouro que se multiplica até aos dias de hoje com obras tão especiais como a Sonata para Violoncelo-Solo de Hindemith. Escrita em 1923, é uma prova do movimento anti-romântico defendido pelo compositor, caracterizando-se pelas dissonâncias provocantes, pelo virtuosismo e pelo ritmo que nos transporta por vezes a uma dança imaginária. Outra dança imaginária. As Três Inflorescências de Lopes-Graça são três moedas de ouro do tesouro deixado por Bach. Inspiradas na mágica atmosfera criada pela solidão do instrumento em palco e construídas a partir de uma mistura de elementos tão distintos que lembram simultaneamente Bach e Hindemith, estamos com certeza perante uma das obras mais ricas que a composição portuguesa dedicou ao violoncelo. Estamos na realidade perante 3 obras de épocas e criadores diferentes, mas todas relacionadas entre si e inspiradas na Herança de Bach.
Bruno Borralhinho