SALA SOPHIA DE MELLO BREYNER
Programa
JOHANN SEBASTIAN BACH A Arte da Fuga BWV1080
Transcrição para Quarteto de Cordas de Wolfgang Graeser
QUARTETO LOPES-GRAÇA
LUÍS PACHECO CUNHA violino
ANNE VICTORINO D'ALMEIDA violino
ISABEL PIMENTEL violeta
CATHERINE STRYNCKX violoncelo
A imagem do velho Bach, quase cego, devotando incontáveis horas à gravação em placas de cobre do original para edição deste seu trabalho derradeiro, que ninguém havia encomendado ou sequer sugerido, mas no qual investiu todo o seu saber e arte, assombra sucessivas gerações de seus biógrafos e admiradores – é a contemplação da face transcendente e radiante da criação.
Completada em duas etapas na década de 40 do século XVIII (a sua publicação, em 1751, é já póstuma) a Arte da Fuga é uma obra singular que se apresenta, sem instrumentação definida, em sistemas de quatro pautas (também três e duas). Treze fugas (Contrapunctus) e quatro cânones tendo por base o mesmo tema, simples, de sua invenção, aos quais vem juntar-se uma última fuga, incompleta e um Coral, com novo material temático (e o tema monogramático B-A-C-H) – representam um magnífico repositório testamentário de um género – a Fuga – do qual Bach foi mestre incontestável.
Assim foi entendido este trabalho, como supremo exemplo de uma Arte, “música pura” não destinada a ser interpretada e assim se manteve até 1927, quando, após edição coordenada por Wolfgang Graeser para Quarteto de Cordas, a obra desceu aos palcos das principais cidades europeias e foi gravada pelo Roth String Quartet of New York.
O Quarteto Lopes-Graça chama agora a si, neste programa dos Dias da Música (e recorrendo para tal à edição do original de Bach realizada por Hermann Diener para a Bärenreiter) a muito grata incumbência de passar este testemunho de suprema harmonia que Bach nos legou.
Luís Pacheco Cunha